Em reunião com Lula, líderes defendem financiamento público

Presidentes do PT, PSB, PDT e PCdoB fecharam questão em torno da manutenção do voto proporcional na reforma política

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

Os presidentes do PT, PSB, PDT e PCdoB fecharam questão quanto à defesa do financiamento público de campanha durante reunião sobre a reforma política organizada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva . O financiamento público é a prioridade de Lula e do PT nas discussões sobre a reforma.

Na avaliação dos participantes da reunião, que aconteceu hoje em um hotel de São Paulo, esse consenso é importante entre os quatro maiores partidos de esquerda para impulsionar o projeto no Congresso. O objetivo, agora, é atrair o PMDB para criar uma maioria e forçar o andamento da reforma no Congresso.

AE
Com Eduardo Campos e Rui Falcão, Lula discute reforma política

Os quatro partidos fecharam questão em relação à manutenção do voto proporcional para cargos do legislativo. Essa posição contraria o PMDB, que defende o modelo do “distritão”, no qual não existiria o coeficiente eleitoral, sendo uma espécie de eleição majoritária para cargos do legislativo. O voto proporcional representa, também, uma mudança na posição inicial do PT, que defendia o voto em lista fechada.

Outros pontos de consenso foram quanto à redução do mandato de senador, de oito para quatro anos, a partir da eleição de 2018, a alteração da data da posse dos eleitos, que deixaria de ser no dia 1º de janeiro e passaria para os dias 5, 10 e 15 para presidente, governador e prefeito, respectivamente, e o fim da figura do suplente de senador. Os partidos acordaram que o suplente deve ser o deputado mais votado do mesmo partido e do mesmo Estado.

Durante a reunião, o presidente do PT, Rui Falcão, telefonou para o vice-presidente Michel Temer, presidente licenciado do PMDB, para informar os acontecimentos da reunião e consultá-lo. Temer deve se encontrar com Lula nos próximos dias.

“A reunião foi muito positiva porque indica que estamos caminhando para construir uma maioria”, disse o deputado Henrique Fontana (PT-RS), relator do projeto da reforma política na Câmara.

De acordo com o presidente do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, outro acordo firmado é que os partidos votarão a favor do relatório de Fontana na comissão da reforma para dar celeridade ao andamento do projeto. As diferenças serão discutidas no plenário da Câmara. “O financiamento público é um ponto central. O Brasil precisa encarar a reforma política tratando logo de cara desse tema”, disse Eduardo Campos.

Lula e os dirigentes concordaram em fazer uma reunião em Brasília no dia 4 de outubro, reunindo líderes dos partidos da base aliada, representantes da classe política e entidades da sociedade civil, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), União Nacional dos Estudantes (UNE) e centrais sindicais.

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