Em Pernambuco, Lula ganha aplausos de críticos do governo

Representantes do MLST, um dos movimentos de sem-terra mais radicais, engrossa coro de apoio ao presidente

Ricardo Galhardo, enviado a Suape |

Agência Estado
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa do lançamento da pedra fundamental da fábrica da Fiat no setor industrial de Suape, em Ipojuca (PE)
Faltando quatro dias para o término de seu mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi alvo de aplausos entusiasmados até de quem teria motivos para reclamar do governo, hoje, no lançamento da pedra fundamental da fábrica da Fiat no complexo de Suape, em Pernambuco.

Entre as aproximadamente 700 pessoas que participaram do evento, um grupo de 150 sem-terra que vive em uma ocupação à margem do porto de Suape, se destacava.

Vestidos com as camisetas vermelhas do Movimento para Libertação dos Sem Terra (MLST) e bonés da montadora italiana, eles eram os que aplaudiam com mais entusiasmo cada menção ao nome do presidente.

Liderado pelo dirigente petista Bruno Maranhão, o MLST é considerado um dos movimentos mais radicais do Brasil e chocou o país ao promover uma quebradeira generalizada na Câmara Federal, em 2006.

De acordo com um de seus líderes, José Adílson da Silva, o crescimento do parque industrial de Suape com a implantação de fábricas como a da Fiat tem forçado a saída dos sem-terra que moram na Fazenda dos Trabalhadores, próxima ao porto, ocupada há 22 anos por cerca de 680 famílias.“Suape é muito bom para Pernambuco mas para a gente não é, não. As fábricas estão tirando a gente da terra”, explicou.

Na opinião de Adílson, as famílias têm sido alvo de desapropriações para implantação de áreas de reflorestamento. “Eles pagam uma mixaria e expulsam o pessoal de lá. Quem se recusa a sair tem a casa derrubada pela polícia ou é ameaçado pelos seguranças do porto”, disse.

Segundo ele, dezenas de famílias já deixaram o local com indenizações na faixa dos R$ 30 mil. “Não dá nem para comprar uma casa. Se pelo menos eles oferecessem emprego em Suape. Mas a maioria vai parar na periferia de Recife”, afirmou.

Apesar disso, Adílson estava orgulhoso de presenciar o ato do qual a estrela principal era Lula. “Para a gente pode não estar sendo muito bom, mas para o Brasil não tem nem o que falar deste homem”, disse Adilson. “Sem contar que ele também é pernambucano”, completou.

Ele entregou pessoalmente ao presidente uma cesta com produtos plantados pelo MLST e posou para fotos com o presidente.

Os sem-terra e um grupo de operários participaram do evento separados por uma grade dos convidados do governo e da montadora. Embora fosse minoria, Lula falou quase exclusivamente para eles. “O legado mais importante (do governo) é que vocês podem chegar lá”, disse, apontando para os trabalhadores.

Lula foi alvo de elogios até do presidente mundial da Fiat, Sergio Marchioni, que recordou a desconfiança que sentiu ao ouvir o presidente pela primeira vez no Fórum Econômico de Davos, em 2003, e que com o passar do tempo passou a considerar Lula um líder “não só político, mas também humano” .

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