Em novo impasse no Código Florestal, governo queixa-se de traição

Tentativa de votar relatório de Aldo Rebelo evidenciou dissidências na base aliada da presidenta Dilma Rousseff

iG São Paulo |

Em meio ao impasse na votação do Código Florestal, o governo já não esconde sua insatisfação com as dissidências na base de apoio à presidenta Dilma Rousseff no Congresso. Após a votação do relatório do deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) sofrer um novo adiamento na noite de ontem, coube ao líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP) a tarefa de dar o recado aos partidos aliados.

"Eu fiz um acordo com a maioria da Casa e nós detectamos, porque temos conhecimento e temos algum tempo de janela aqui na Casa, que muitos deputados, infelizmente, diziam que iam votar de um jeito e preparavam a votação de outro", afirmou Vaccarezza, evitanto, entretanto, usar o termo "traição".

Com o resultado da votação de ontem, o governo já ingressa na segunda semana de impasse em torno do Código Florestal. Somente na sessão extraordinária convocada para ontem, foram 15 horas de discussão no plenário, sem que o relatório fosse votado. Agora, o tema só deve voltar à pauta na semana que vem.

AE
Discussão do projeto na Câmara durou mais de 15 horas e se estendeu até a madrugada desta quinta-feira
Pelo último acordo feito entre o governo e Rebelo, ficou definido que as propriedades de até quatro módulos fiscais ficariam isentas de manter a reserva legal no novo Código. Mas, enquanto o relator finalizava o texto acordado com o Planalto, deputados se revezavam ao microfone em críticas ao projeto.

Até no PT da presidenta Dilma houve queixas de que Rebelo teria alterado o texto que iria a votação.
“Foram resgatados conteúdos que já tinham sido expurgados do texto. Houve uma quebra de acordo”, disse o líder petista, Paulo Teixeira (PT-SP). Já Aldo Rebelo negou que tenha promovido mudanças sem o consentimento dos líderes. “Eu não mudei, tenho testemunhas", afirmou, citando Vaccarezza e o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves.

Na oposição, uma emenda proposta pelo DEM pretendia retirar do texto o dispositivo proposto pelo governo de que os casos de exceção de Áreas de Preservação Permanente (APPs) seriam permitidos por decreto presidencial. Oposicionaistas falam em retomar o relatório original e ter um consenso geral definido em lei.

"Nós queremos fazer isso por decreto presidencial, com estudo detalhado, aquela área que não precisar ser consolidada não será, ali pode virar floresta, área de proteção ambiental. Nós não queremos começar consolidando tudo e anistiando todo mundo que desmatou", argumentou Vaccarezza.

*Com Flávia D'Angelo, iG São Paulo, Reuters e Agência Brasil

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