Em meio ao rateio de cargos, PT tenta conter disputa interna

Ala majoritária do partido prega união ao montar lista de reivindicações que espera apresentar à presidenta eleita

Andréia Sadi, iG Brasília, e Ricardo Galhardo, enviado |

Em reação ao chamado "blocão" liderado pelo PMDB e para frear a disputa interna, o PT de Dilma Rousseff pregou durante reunião nesta quarta-feira unidade entre as diferentes correntes partidárias. Em encontro, realizado na sede do PT, em Brasília, dirigentes políticos ligados à ala majoritária da legenda começaram a esboçar a lista de demandas que deverão ser discutidas em reunião da Executiva Nacional do partido nesta sexta-feira e remetidas à presidenta eleita na sexta, quando se reúne o Diretório Nacional do partido.

No encontro de hoje, organizado por membros da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), ficou acertado que o comando do PT reivindicará seu espaço, mas com uma posição consensual para evitar crise entre os próprios petistas. Apesar de não representar o partido como um todo, a CNB representa o antigo Campo Majoritário, sigla que dá as cartas no partido. O grupo é integrado por nomes como o ex-ministro José Dirceu e o presidente Lula.

Agência Estado
Presidente nacional do PT¨, Dutra intermediou junto a Dilma demandas de aliados; ex-senador é membro da corrente majoritária do partido
No entanto, correntes minoritárias e grupos setoriais prometem atrapalhar os planos de união do partido na hora de pedir cargos no governo. De olho na conquista de espaço inédito no futuro governo e à revelia da CNB, estas correntes já começaram a se articular para garantir uma vaga na Esplanada.

O Movimento PT - corrente que teve 13% dos votos no PED contra 55% da chapa formada pela CNB, PT de Lutas e de Massas e os Novos Rumos - quer um ministério dentro da cota do PT. O grupo decidiu apresentar uma lista de nomes na Executiva porque avalia ser a única força dentro do partido sem ministério.

Os representantes que o grupo estuda indicar são Fernando Ferro (PE), Virgílio Guimarães (MG), Delcídio Amaral (MS), Arlindo Chinaglia (SP), Geraldo Magela (DF), Maria do Rosário (RS) e deputado Ancelmo de Jesus (RO).

Além de cargos, os setoriais Agrário, Juventude e Igualdade Racial vão elaborar um documento para ser entregue ao partido reivindicando participação na transição do governo. Atualmente, compõem o grupo Antonio Palocci, José Eduardo Cardozo, José Eduardo Dutra, todos coordenadores da campanha presidencial de Dilma, e Michel Temer, vice-presidente eleito.

Reivindicações

Assim como os demais partidos, o PT deve elaborar uma lista até sexta-feira mapeando suas reivindicações no governo da presidenta eleita. “O PT precisa ter a sua cota. Não é porque a Dilma é do PT que nós já estamos representados”, afirmou o deputado Jilmar Tatto (PT-SP). A avaliação é a de que, unido, o partido se fortalece na briga com o “blocão” e seja o porto seguro de Dilma no Congresso. “Precisamos garantir sustentabilidade política para a presidenta eleita. Se fragmentar, abre brecha para os demais partidos”, disse um participante da reunião.

Na última segunda-feira, José Eduardo Dutra, coordenador da transição e interlocutor da presidenta eleita junto aos aliados, entregou a Dilma reivindicações dos partidos. De acordo com informação do próprio Dutra, Dilma não fez nenhum comentário sobre a extensa lista de pedidos dos aliados. Guardou-a para si e determinou que o presidente do PT continue conversando com os aliados sobre a montagem do governo.

Mesmo sem lista, os pedidos no PT surgem de todos os cantos. Em São Paulo, por exemplo, a direção estadual quer emplacar em ministérios nomes como os de Aloizio Mercadante e Marta Suplicy. Além destes, o PT paulista deverá ocupar, embora não contabilize em sua cota, cargos no primeiro escalão nas figuras de Palocci e Cardozo.

No Rio, as especulações giram em torno de Luiz Sérgio, presidente do PT estadual, para o Turismo, e Emir Sader para a Cultura. Já em Minas Gerais, os petistas lançaram nos bastidores Fernando Pimentel, Virgílio Guimarães e Patrus Ananias para postos-chaves no governo Dilma.

A petista, no entanto, não dá nenhum sinal de que cederá às demandas do partido e aliados nem quando. Nesta quarta-feira, durante café da manhã com Temer, Dilma teria dito que até o dia 15 de dezembro anunciará equipe ministerial- mas não deu detalhes sobre nomes nem cotas partidárias.

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