Em estreia na tribuna, ex-BBB Jean Wyllys defende casamento gay

Filho de uma família pobre, o deputado federal pelo PSOL-RJ prometeu lutar pela garantia dos direitos humanos e homossexuais

Ana Paula Leitão, iG de Brasília |

nullEm seu primeiro pronunciamento na tribuna da Câmara, o deputado e ex-BBB Jean Wyllys (PSOL-RJ), afirmou nesta quinta-feira que apresentará um projeto de emenda à Constituição (PEC) que garanta o direito ao casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.

"Se o estado é laico, os homossexuais têm de ter todos os direitos civis. Inclusive o direito ao casamento civil", afirmou.

"Se o casal pode se divorciar e, em seguida, partir cada um para novos casamentos, é porque o casamento civil não é de competência de igrejas nem de religiões”, completou o deputado que diz ser o primeiro homossexual assumido "sem homofobia internalizada" a se eleger na Casa.

Dentre as propostas que pretende viabilizar na Câmara, o ex-BBB citou a reestruturação da Frente Parlamentar Mista pela Cidadania LGBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgênero).

Jean lembrou, logo no início do pronunciamento, toda sua trajetória até chegar à Câmara dos Deputados. Filho de uma família pobre, conta que sofreu preconceito por assumir a homossexualidade.

"Muitos de vocês sabem que a injúria, os xingamentos, as piadas infames, o escárnio, a fofoca e as violências físicas contra os homossexuais provocam quase sempre danos irreparáveis à subjetividade ou à alma da pessoa. Agora, imagine essa injúria combinada à pobreza extrema em que minha família e eu vivíamos na periferia de Alagoinhas, interior da Bahia, em que sequer água e sanitário havia nas casas de aluguéis em que morávamos".

O deputado do PSOL relatou que começou a trabalhar quando tinha 10 anos para ajudar no sustento da família. "Não bastasse a miséria, e talvez mesmo por conta dela, meu pai enfrentava problemas com alcoolismo e, por isso, não parava em subempregos que vez em quando permitia-lhe trazer comida para casa. MInha mãe trabalhava como lavadeira para não nos deixar morrer de fome".

Sem qualquer incentivo da família, mas certo de que a mudança de sua vida dependia dos estudos, Jean desafiou os pais para frequentar escolas públicas vinculadas à Igreja Católica.

Foi assim que, segundo ele, conseguiu entrar para a Universidade Federal da Bahia, onde concluiu mestrado na área de Jornalismo.

Diante de todas as dificuldades que enfrentou, Jean concluiu o discurso com a promessa de fazer um mandato voltado à luta pelos direitos humanos e homossexuais.

Para isso, afirmou que integrará na Câmara a Comissão de Finanças e Tributação, de Legislação Participativa, além de ser suplente na Comissão de Direitos Humanos.

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