Documento assinado por Zoghbi, que dirigiu área de Recursos Humanos, tem como objetivo comprovar vínculo empregatício com o Senado

Reprodução
Declaração foi assinada por Zoghbi em janeiro do ano passado, quando já estava fora do Senado, com intuito de comprovar vínculo de Lucena Júnior
Para tentar comprovar que sempre manteve vínculo com o Senado, Humberto Lucena Júnior apresentou uma declaração do ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi. Em 2009, Zoghbi foi demitido do cargo após a denúncia de que participou de um esquema de corrupção envolvendo operadores de crédito consignado no Senado.

A declaração consta na defesa que Lucena Júnior apresentou ao Senado para justificar seu pedido para ganhar cargo efetivo na Casa . Ele diz que trabalhou no gabinete do ex-senador Ney Suassuna (PMDB-PB) mesmo sem estar nomeado formalmente no cargo. O documento foi assinado em 24 de janeiro de 2011. O objetivo de Lucena Júnior é comprovar que manteve vínculo ininterrupto com o Senado.

“Declaro, para os devidos fins, que o servidor comissionado Humberto Coutinho de Lucena Júnior, trabalhou no gabinete do senador Ney Suassuna (PMDB-PB) no período de 01/02/2003 a 27/05/2003, momento em que aguardava sua nomeação para o gabinete, conforme atestado pelo próprio senado, face ao elevado fluxo de indicações, nomeações e posses de correntes de mudanças de legislatura”, declara Zoghbi.

A declaração do ex-diretor de Recursos Humanos é só uma das peças apresentadas por Lucena Júnior para tentar comprovar que trabalha no Senado desde 1984. Além do documento assinado por Zoghbi, ele apresentou uma nota assinada pela diretora do Prodasen (Diretoria de Processamento de Dados do Senado), Cláudia Nogueira, garantindo que ele sempre manteve ativa a conta na rede do Senado. “(...) o servidor possuía login no período de 31/01 a 27/05/2003 (...)”, diz trecho da nota de Cláudia.

Atestado de frequência

Lucena Júnior também anexou ao processo um "atestado de frequência" assinado pelo ex-senador Ney Suassuna (PMDB-PB). No documento, Suassuna afirma que o filho do ex-presidente do Senado trabalhou "regularmente" em seu gabinete, inclusive durante o período em que "aguardava a formalização de sua nomeação".

O ex-parlamentar assinala que a demora na nomeação de Lucena Júnior se deu "em virtude de atrasos dos procedimentos burocráticos". "(...) a meu ver, não cabe ao servidor em questão qualquer responsabilidade sobre o ocorrido, especialmente por ter cumprido sua jornada de trabalho e as atribuições que lhe foram confiadas", escreveu Suassuna.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.