Em defesa, Demóstenes dirá que não cumpriu promessas a Cachoeira

Senador formula estratégia de defesa em casa. Durante a semana, foi duas vezes ao Senado e garante que não renuncia

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Agência Senado
Senador Demóstenes esteve hoje no Conselho de Ética
O senador Demóstenes Torres (sem partido – GO) já tem parte de sua estratégia de defesa definida. Apesar de aparecer em gravações telefônicas com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, ele quer provar que não deu prosseguimento aos pedidos feitos pelo contraventor, segundo o iG apurou com interlocutores próximos a ele.

Com isso, Demóstenes espera derrubar a acusação que colocou seu mandato a serviço do bicheiro. O senador goiano tem dez dias para apresentar sua defesa por escrito, mas já disse que irá falará pessoalmente também.

A principal acusação que pesa contra o senador é o fato de ele aparecer nos grampos atendendo a pedidos de Cachoeira, como a apresentação de projetos de interesse do contraventor ou a votação de pedidos de convocação de autoridades. Num dos diálogos, Demóstenes avisa o contraventor que determinado projeto de lei “pega” ele.

Desde o agravamento da crise envolvendo o seu nome há duas semanas, Demóstenes tem passado os dias estudando o inquérito da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que mostrou a existência um esquema de jogo ilegal envolvendo policiais e servidores públicos. Nos grampos telefônicos, ele aparece em diálogos com Cachoeira.

A advogado de Demóstenes, Antonio Almeida Castro, o Kakay, afirmou que a linha de defesa não se dará apenas levando em consideração o fato de o senador não ter atendido aos pedidos de Cachoeira. "Quem lhe disse isso está mal informado. Eu estou fazendo a defesa política e jurídica. Vamos responder os questionamentos da representação", disse.

Rotina

O senador goiano quebrou sua rotina de leitura do inquérito hoje pela manhã, quando esteve no Senado para acompanhar a reunião do Conselho de Ética. Ele chegou à Casa às 9h54 e foi embora pouco antes das 11 horas. Durante a reunião, ele deixou claro que vai se defender e que, por ora, não pensa em renunciar o mandato.

Demóstenes passa os dias em seu apartamento funcional, localizado no bairro Asa Sul, em Brasília. Costuma receber a visita de assessores, mas evita tratar diretamente sobre a sua defesa. O senador se prepara para o julgamento político, do Conselho de Ética, e o julgamento da Justiça. Nesse último, seu objetivo é anular as provas da Operação Monte Claro.

No Conselho de Ética, Demóstenes tenta evitar a perda do mandato. Ele não quer perder o foro privilegiado. Ou seja, prefere ser processado no Supremo Tribunal Federal (STF), colegiado formado por 11 integrantes, onde Demóstenes sempre teve bom trânsito. Se perder o foro, Demóstenes será julgado pelo Tribunal de Justiça porque ele é promotor de Justiça licenciado.

Nesse último caso, teme até ser preso. Antes de senador, Demóstenes foi secretário de Segurança Pública do Estado de Goiás. No cargo, contrariou interesses e fez inimizades. No Senado, não foi diferente. Ao longo da semana, senadores governistas e oposicionistas lembraram episódios em que entraram em discussão com o senador goiano.

“Discutimos duas. Não! Foram três vezes”, conta o senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), justamente quem foi escolhido hoje para presidir o Conselho de Ética no processo de cassação de Demóstenes. “A última vez que discutimos foi por causa da ministra Rosa Weber (do Supremo Tribunal Federal). Ele dizia que ela não tinha preparo e eu saí em defesa dela”, disse.

Apesar de somar adversários, cinco senadores se negaram a relatar o processo de cassação de Demóstenes. A definição foi feita por sorteio: Lobão Filho (PMDB-MA), Gim Argello (PTB-DF), Ciro Nogueira (PP-PI), Renan Calheiros (PMDB-AL) e Romero Jucá (PMDB-RR) foram sorteados, mas não aceitaram a missão. “Ele é meu amigo”, resumiu Jucá.

De certo modo, o PMDB tem tido um  comportamento solidário ao Demóstenes. "Por mim, eu não voto a favor da cassação de ninguém", disse um peemedebista. Por fim, acabou sendo sorteado o nome do senador Humberto Costa (PT-PE). Apesar disso, ele não comemorou e disse nunca é agradável julgar um colega senador.

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