Em curso de iniciação política, 85% não têm simpatia por partidos

Pesquisa realizada com alunos de escolas públicas em São Paulo de 13 a 18 anos mostra que jovens buscam novas formas de participar

Nara Alves, iG São Paulo |

Uma pesquisa realizada com jovens de 13 a 18 anos pelo Centro de Integração da Cidadania, vinculado ao Governo de São Paulo, mostrou que 85,2% dos jovens que fizeram o curso de iniciação política não têm qualquer relação com partidos. Ao mesmo tempo, a maioria dos alunos concorda que a educação política é necessária nas escolas públicas. O estudo mostra que, mesmo entre adolescentes que procuraram aprender sobre política, o grau de envolvimento com siglas e ações políticas é mínimo.

Leia também: Participação política é tema da redação da Fuvest

“Os jovens conhecem pouco de política, se envolvem de maneira tímida com partidos, não promovem trabalhos sociais, parecem dispor de tempo e vontade de aprender e, principalmente, assumem que a educação política deve estar presente nas escolas”, diz o cientista político da Universidade de São Paulo Humberto Dantas, professor do curso.

A pesquisa ouviu 680 jovens em áreas de vulnerabilidade social da Grande São Paulo no fim de 2011, quando os entrevistados concluíram o curso de iniciação política oferecido pelo centro. A maioria dos pesquisados é estudante de escola pública e tem mais de 16 anos, ou seja, está em fase de preparação para sua primeira experiência eleitoral em outubro de 2012, nas eleições municipais.

“Quando indagados sobre a realização de algum tipo de trabalho voluntário, apenas 3,5% dos alunos apontaram uma ação. Destacam-se ações caritativas e assistenciais ligadas às mais diferentes igrejas”, diz. Segundo o cientista, a maior parte dos alunos do curso gasta seu tempo livre com atividades de lazer, realizando cursos técnicos ou procurando emprego.

O principal canal utilizado para busca de informação política, de acordo com a pesquisa, é a televisão, com 93,59%. Em segundo lugar aparece a internet, com 78,53%. Em seguida, vem o jornal, com 57,85%. O rádio aparece em quinto lugar, com 45,03%, e revistas em sexto, com 33,33%. Palestras e conversas são a principal fonte de informação para 24,52% e 18,27%, respectivamente. Os livros aparecem em último lugar, com 12,18%.

Fuvest

O esvaziamento das instituições políticas tradicionais e a necessidade de participar da política do País foi tema da redação da segunda fase da Fuvest no último domingo . O tema exato era: "Participação política: indispensável ou superada?".

A questão era acompanhada de cinco textos, incluindo um poema que exaltava a condição política natural do homem, uma tirinha de jornal do cartunista Adão criticando a apatia política, um texto adaptado de Aristóteles e um do filósofo brasileiro Mario Sergio Cortella.

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