Em congresso do PT, Dilma refuta afastamento de Lula

Presidenta fez questão de expor sua intimidade com Lula e reiterar diversas vezes que faz um governo de continuidade

Ricardo Galhardo, enviado a Brasília |

A presidenta Dilma Rousseff aproveitou a presença de 1.500 militantes petistas que participam do 4º Congresso Nacional do PT, em Brasília, para desmentir boatos sobre seu distanciamento em relação ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula retribuiu dizendo que Dilma vai ficar oito anos no poder.

Em um longo discurso de aproximadamente 40 minutos, Dilma, tocou explicitamente, sem rodeios, em pontos sensíveis como as tentativas de imputar uma suposta herança maldita a Lula ou avaliações de que a “faxina” feita em seus oito meses de governo é fruto da tolerância do antecessor com a corrupção.

Além disso, a presidenta fez questão de expor sua intimidade com Lula e reiterar diversas vezes que faz um governo de continuidade.

“Repudio o esquecimento de ações do governo do presidente Lula que acompanhei e vivi contra malfeitos”, disse Dilma, arrancando aplausos da plateia.

Segundo ela, é impossível dissociar sua trajetória das oportunidades que teve no governo anterior. Dilma creditou as tentativas de colocá-la em um lado oposto ao de Lula à sanha da oposição em criar desgastes para o governo.

“Lamento que este desgaste assuma formas muito interessantes. Além do legado, da herança e da tentativa de me separar (de Lula)... é interessante. Na medida em que participei do governo do presidente Lula em um cargo de destaque como é que eu posso estar em conflito comigo mesma?”, questionou.

Lula, que falou antes da presidenta, também mandou recado aos que especulam sobre uma possível candidatura dele à Presidência em 2014, deixando claro que apoia a reeleição de Dilma. "Para quem vai governar esse País por oito anos, oito meses são só 10% do tempo que você vai ter", disse o ex-presidente.

Nas últimas semanas Dilma trocou afagos com tucanos como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, gerando boatos sobre um suposto afastamento de Lula.

Sob o olhar atento do ex-presidente, que compunha a mesa de abertura do congresso, Dilma refutou a tese da herança maldita.

“Vejo muitas vezes na imprensa dizerem que eu, que me elegi presidente baseada na trajetória deste partido e no sucesso do presidente Lula, tenho uma herança que não é bendita. Essa tentativa solerte, às vezes envergonhada e insinuada, tenta toldar uma das maiores conquistas que tivemos nos últimos anos. Nós mudamos o Brasil. Portanto, a nossa herança é daqueles que transformaram o Brasil pela primeira vez. Outros tentaram. De uma forma de outra foram interrompidos. Ou se mataram ou foram apeados do poder”, afirmou a presidenta. “Estou firmada sobre uma pedra muito sólida que é a experiência de oito anos de um governo que tive a honra de participar”, completou.

Ela também aproveitou o tom político do evento para rebater críticas sobre sua suposta inabilidade política, amplificadas com a queda de quatro ministros em apenas oito meses.

“Muitas vezes eles também especulam sobre minha suposta inapetência política, de que eu sempre fui uma gerente tecnocrata muito despreparada para o exercício da presidência. Eles esquecem que tenho muito orgulho de, quando era muito difícil fazer política no Brasil porque dava cadeia ou morte, ter feito política no Brasil”, disse Dilma.

Voltando ao tema do combate à corrupção, Dilma direcionou seu discurso para setores do PT descontentes com as medidas de combate à corrupção. Segundo a presidenta, o combate à corrupção não pode ser meta de governo, é um trabalho ininterrupto, e rejeitou uma caça às bruxas.

“A justiça não se faz nem com caça às bruxas nem com colocação de pessoas à execração pública e retirada de direitos de cidadania”, afirmou.

Antes, Dilma fez um afago no ex-ministro da casa Civil, José Dirceu, acusado em reportagem da revista “Veja” de tramar contra seu governo.
“Quero saudar todos os companheiros, a quem cumprimento em nome de todos eles o companheiro José Dirceu”.

O ex-ministro foi ovacionado pelos aproximadamente 1.500 presentes e também recebeu afagos de Lula.

“Outro dia li num jornal que o PT aprovou uma nota de apoio ao Zé Dirceu com o meu aval. Ninguém pediu meu aval e portanto o jornal errou. Pois agora, tem o meu aval”, disse Lula.

Neste sábado Dirceu será objeto de uma moção de desagravo devido à matéria de “Veja”.

A desorganização do evento e a truculência da segurança de Dilma fizeram com que o presidente do PT, Rui Falcão, fosse obrigado a interromper seu discurso. Dezenas de petistas barrados pela segurança presidencial, que alegava falta de espaço no auditório, começaram a esmurrar as portas. Os petistas que estavam do lado de dentro responderam aos gritos de “abre, abre”.

Entre os barrados estavam o prefeito de Osasco, Emídio de Souza, os deputados João Paulo Cunha, Henrique Fontana e José Mentor e até o chefe de gabinete de Dilma, Giles Azevedo.

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