Em carta a conselho tucano, Serra sobe tom contra Lula e Dilma

Documento apresentado pelo ex-governador teve de passar pelo crivo do senador Aécio Neves

Nara Alves, enviada a Brasília |

O Conselho Político do PSDB divulgou nesta sexta-feira um documento de seis páginas submetido na última quarta-feira pelo ex-governador José Serra ao Conselho Político do PSDB. No texto – que teve de passar pelo aval do senador Aécio Neves – Serra faz duras críticas aos governos petistas de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff .

O documento classifica Lula de "animador" e o acusa o governo de ter "atração pelas tiranias" por apoiar os regimes iraniano e sírio. Serra também sugere que o PSDB trabalhe contra a "falta de combatividade das nossas direções" e pede que o partido evite a utilização de "alianças externas ao partido como forma de se resolverem naturais disputas internas".

AE
Texto de Serra só foi tornado público depois de passar por crivo de Aécio
"Temos adversários políticos e um só inimigo: a desunião interna. Para evitá-la, temos de evitar três erros. Em primeiro lugar, a falta de combatividade das nossas direções, em todos os níveis, que esmaece os compromissos políticos e ideológicos dos militantes. Em segundo lugar, a utilização de alianças externas ao partido como forma de se resolverem naturais disputas internas. Em terceiro lugar, a antecipação das decisões sobre alianças e candidaturas em 2014, que implicaria deixar de lado as tarefas essenciais de reflexão, combate e reorganização, em todo o Brasil", diz o documento.

Serra sugere, ainda, que todos os diretórios do PSDB elaborem, a cada dois meses, uma carta de análise da conjuntura política local. Como oposição, Serra prega que o PSDB continue fiscalizando as ações do governo. "Sem, no entanto, pretender virar governo no exílio, como reza a tradição tucana, de onde não vencemos a eleição", ressalta.

O conteúdo foi aprovado em Brasília durante a primeira reunião do Conselho Político desde que o órgão foi criado, há um mês, na Convenção Nacional da sigla. Assinam o documento os membros do Conselho, os governadores Geraldo Alckmin (SP) e Marconi Perillo (GO), o presidente do partido, deputado Sérgio Guerra (PE), o presidente de honra do PSDB, ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (SP), além de Serra. Aécio não esteve presente porque sofreu um acidente e está sob efeito de "muitos medicamentos", segundo Serra. O Conselho aproveitou a homenagem pelos 80 anos de FHC marcada para amanhã no Senado para reunir seus membros.

Críticas ao PT


No texto aprovado, o PSDB também critica a libertação do ex-ativista italiano Cesare Battisti. "Quando se trata de governos amigos do petismo, prefere-se o silêncio diante das violações, dos abusos, dos massacres. Para os amigos, as conqistas da civilização; para os nem tanto, a lei da selva. Não foi por menos, aliás, que o momento da vergonha veio quando o governo do PT decidiu afrontar a democrática Itália e dar proteção a um assassino comum, Cesare Battisti, só por ele ter amigos no PT."

"O governo do PT apoia o regime da Síria no massacre contra os movimentos a favor da democracia naquele país. Um momento triste foi quando a presidente deu as costas à Prêmio Novel da Paz iraniana Shirin Ebadi, para não melindar o aliado Mahmoud Ahmadinejad. Parece que a atração do governo petista pelas tiranias segue inabalável", diz o documento.

Além da avaliação da política externa, o Conselho Político fez críticas à política econômica, apontando o desempenho modesto do crescimento do País. Também lembra os atrasos e a falta de transparência nas obras da Copa do Mundo e outras obras de infraestrutura. Trata o projeto do trem-bala Rio-São Paulo como "o investimento mais alucinado de nossa história" pelo volume de recursos públicos que exigiria. O texto critica, ainda, a política ambiental do governo Dilma que, segundo o PSDB, faz um "zigue-zague" entre o setor ambientalista e não-ambientalista nas questões do Código Florestal e da usina de Belo Monte.

FHC


O texto de José Serra também faz diversos elogios ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "É mais frequente hoje do que ontem o reconhecimento de que os oito anos do governo do PSDB, comandados por Fernando Henrique, tiraram o Brasil de algumas situações de atraso crônico", diz. Além de enaltecer o ex-presidente, Serra lembrou o ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza, morto no último fim de semana.

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