Em BH, vereadores enfrentam protesto após aumento de salário

Prefeito de Belo Horizonte, que precisa decidir se aprova ou veta reajuste de 60%, assume que tem um "pepino" na mão

Denise Motta, iG Minas Gerais |

“Pepino ocorre sempre. O papel de prefeito não é um papel fácil, e temos que tratar de cada assunto a seu tempo. Eu não quero fazer julgamento pessoal sobre esse assunto”, afirmou nesta quarta-feira (21) o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), ao ser questionado se tinha nas mãos um pepino, referente à sanção ou veto do projeto de lei dos vereadores da capital que aumentaram em 60% os próprios salários.

Denise Motta/iG
O presidente da Câmara de Vereadores de BH, Léo Burguês (PSDB)
Léo Burguês: 'Povo não tem que reclamar que aumentou salário de político'

O reajuste vale para a legislatura que começará em 2013. Os vereadores, que atualmente ganham R$ 9 mil, passarão a receber mensalmente um salário de R$ 15 mil. Na manhã desta quarta, cerca de 300 pessoas fizeram manifestação em frente à prefeitura para pedir veto do prefeito e há também mobilização em redes sociais.

Lacerda tem um prazo legal de 15 dias para vetar ou sancionar o projeto, que está em fase de redação final. Na internet, eleitores se mobilizam em uma campanha para que o prefeito vete o aumento salarial. Mas, caso o prefeito vete, os vereadores poderão derrubar o veto. Outra alternativa de Lacerda é deixar correr o prazo e não se posicionar. Se fizer isso, o projeto automaticamente vira lei. A expectativa é de que o posicionamento do prefeito só ocorra em 2012.

O aumento

O aumento dos salários dos vereadores foi aprovado no último dia 16, com 22 votos favoráveis e três contrários. Um dos que rejeitou o aumento foi o vereador Iran Barbosa (PMDB), que comprometeu-se a doar a diferença para escolas públicas, caso seja eleito para a legislatura de 2013 a 2016. Oposição, Barbosa acredita que o prefeito vai “lavar as suas mãos” e não se posicionar sobre o projeto, para evitar desgaste político em ano que tenta reeleição.

Nesta tarde de quarta, um fato curioso chamou a atenção de jornalistas e parlamentares na Câmara Municipal de Belo Horizonte. O vereador Geraldo Félix (PMDB) disse que encaminhou ao prefeito pedido para que ele vete o aumento. Félix votou favoravelmente ao projeto, mas disse que “seu espírito era contra”.

“O salário atual não é tão ruim. Voltei atrás porque achei que tinha consenso. A opinião pública e a mídia tomaram uma posição e eu não vou contra a opinião pública e a mídia. Meu espírito era contra”, afirmou Félix, admitindo estar preocupado com a sua imagem no ano de pré-eleição. Ele está na sua quinta legislatura e responsabiliza uma “mídia mais ativa” à uma “população mais alerta”. Félix disse ainda que vai tentar mobilizar mais colegas para que mudem também de posição.

O líder de governo, Tarcísio Caixeta (PT), acredita que não exista a possibilidade de Lacerda vetar o projeto. “Aumento de salário é questão de vereador. Como o prefeito vai mexer com isso? Não acredito em veto”, disse. Já o presidente da Casa, vereador Léo Burguês (PSDB), voltou a dizer que entende e respeita a revolta popular, mas que os eleitores devem é cobrar trabalho dos políticos a favor da sociedade. “Quando se fala em aumento de 60%, isso soa como uma bomba. As pessoas estão acostumadas a um aumento salarial anual, e o nosso vale por quatro anos”, defende-se.

Nesta quarta-feira, última reunião ordinária da câmara, os vereadores de BH aprovaram em segundo turno um projeto que cria cargos de recrutamento amplo com salário de até R$ 9 mil. A votação ficou com 21 votos a favor e apenas cinco contrários, além de oito abstenções. O impacto para a câmara será de pelo menos R$ 1 milhão anual, mas Burguês ressalta que sua gestão economizou mais de R$ 47 milhões neste ano. Este projeto não precisa ser sancionado pelo prefeito, pois trata-se de matéria do legislativo.

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