Em baixa com Planalto, líder do PMDB prejudica futuro na Câmara

Henrique Eduardo Alves bateu de frente com ministro Antonio Palocci e corre risco de se inviabilizar como presidente da Câmara

Adriano Ceolin, iG Brasília |

O líder do PMDB da Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), degastou sua relação com o Palácio do Planalto e corre risco de se inviabilizar como sucessor de Marco Maia (PT-RS) na Presidência da Câmara.

Alves bateu de frente com o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, ao tentar impedir a nomeação de Flávio Decat para a Presidência de Furnas. O líder do PMDB queria indicar um nome apoiado pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Palocci e Alves discutiram durante reunião realizada, na madrugada de sexta-feira, no hotel onde o vice-presidente da República Michel Temer está morando - residência oficial da Vice-Presidência, o Palácio do Jaburu está em reforma.

O chefe da Casa Civil disse a Alves que Decat havia sido escolhido pela presidenta Dilma Rousseff que Decat seria nomeado presidente de Furnas. O líder do PMDB reagiu e disse que não aceitava a indicação. Lembrou que havia impedido a realização de uma CPI do setor elétrico.

Palocci entendeu como uma ameaça e afirmou que a indicação era da presidenta Dilma e que ela não voltaria atrás. No dia seguinte, dois grupos internos do grupo começaram a se movimentar para enfraquecer em Henrique Alves.

O primeiro deles é liderado pelo deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) e tem como integrantes congressistas que apoiaram José Serra (PSDB) como candidato a presidente da República. O grupo chegou a divulgar um manifesto.

“Eu assino em baixo. É uma maravilha. São pontos programáticos do PMDB”, disse Alves, que negou se tratar de uma ironia.

O outro tem como líder informal o deputado Renan Filho (PMDB-AL), filho do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), e integrado por cerca de 15 deputado. Ele, porém, negou a articulação. “Renan Filho me mandou um ofício. Disse que não tem nada a ver”, afirmou Alves.

Projeto presidência

Peemedebistas procuraram Henrique Alves para pedir que amenizasse suas declarações a fim de não se inviabilizar como candidato. “Não é momento de enfraquecer o líder. Temos de prestigiá-lo”, afirmou Leonardo Quintão (PMDB-MG).

Ao iG, Henrique disse não estar preocupado. “Não trabalho tendo como referência o posto de presidente daqui a dois anos”, disse.

O líder do PMDB afirmou que continuará defendendo a bancada do Rio de Janeiro. “É maior bancada regional (tem oito deputados)”, disse.

Ainda no ano passado, PMDB e PT, as duas maiores bancadas da Câmara, reafirmaram o acordo para comandar a presidência da Câmara. Entre 2011 e 2013, a Casa ficará sob a presidência de um petista. Depois, sob as ordens de um peemedebista.

Na segunda-feira passada, o PMDB ajudou a eleger Marco Maia (PT-RS) para presidente. Daqui a dois ano, o acordo seria para o PT apoiar Henrique Alves. Desde que enfrentou Palocci, ele passou a pôr em risco o cumprimento desse acordo.

Indicado pela bancada do PMDB e por Temer, o ministro Wagner Rossi (Agricultura) esteve nesta terça-feira no Congresso para tentar amenizar os ânimos com deputados do partido.

    Leia tudo sobre: henrique eduardo alvesdesgastesucessãocâmara

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG