Em Abril Vermelho, MST abre negociação com o governo

Movimento pede que o governo não apoie o Código Florestal e reinicia cobrança pela reforma agrária

iG São Paulo |

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) reforçou, nos últimos dias, campanha para pedir reforma agrária. Além disso, pede que o governo não apoie a mudança no Código Florestal, como descrito na proposta do deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) em discussão na Câmara. “Queremos discutir o projeto de lei”, disse João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do movimento.

O movimento fez cerca de 70 ocupações em mais de 20 Estados e mantém acampamentos em dez capitais para marcar a passagem do Abril Vermelho, período tradicional de mobilização do MST.

Durante a semana, o MST percorreu diversos ministérios para levar às suas demandas. O governo, no entanto, anunciou que responderá às demandas do MST e de outros movimentos sociais no dia 2 de maio. O anúncio foi feito depois da reunião com os secretários executivos dos ministérios feita na Secretaria-Geral da Presidência da República. Cada pasta recebeu um CD com a lista de reivindicações que deverão ser respondidas conforme orientação da secretaria.

Este ano, o movimento aponta falhas nos assentamentos de trabalhadores rurais (infraestrutura, acesso à escola, crédito) e tenta garantir Orçamento para a reforma agrária em meio ao contingenciamento de mais de R$ 50 bilhões anunciado em fevereiro.

Quanto ao governo a tática é ser propositivo. “Não é possível transformar a sociedade brasileira com essa estrutura agrária. Para combater a pobreza (objetivo principal anunciado pelo governo Dilma), tem que fazer reforma agrária”, avaliou João Paulo.

“O governo está tratando os movimentos sociais com muita seriedade”, frisou André Lázaro, secretário-executivo da Secretaria de Direitos Humanos. “Nós entendemos que são legítimas as reivindicações dos movimentos sociais e entendemos que é legítima a luta pela terra, mas isso tem que se dar nos marcos da legalidade”, apontou o secretário ao comentar que os governos são “datados”, têm prazo para terminar, e os movimentos sociais “têm uma dimensão utópica”. Para Lázaro, “essa tensão é construtiva”.

Com Agência Brasil

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