Em 2º discurso na ONU, Dilma alerta para 'feminização da pobreza'

“No Brasil, nós mulheres somos 52% dos eleitores, mas apenas 10% do congresso nacional", disse a presidenta em Nova York

Carolina Cimenti, em Nova York |

Em seu segundo discurso nas Nações Unidas (ONU) nesta segunda-feira, a presidenta Dilma Rousseff alertou para o fato da desigualdade socio-econômica das mulheres poder aumentar ainda mais nos próximos meses com a crise econômica. “São as mulheres as que mais sofrem com a pobreza extrema, com o analfabetismo e com as falhas do sistema de saúde. A crise econômica pode agravar esse cenário, intensificando a feminização da pobreza, por isso combater as consequências e também as causas da crise é essencial”, disse a presidenta.

Roberto Stuckert Filho/PR
Com Bachellet e Hillary, Dilma fala sobre mulheres na política

O discurso de Dilma foi o segundo proferido na Reunião sobre Participação Política de Mulheres, com Michelle Bachellet, ex-presidenta do Chile e chefe da agência da Organização das Nações Unidas para a Mulher, e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, entre outras autoridades políticas mulheres.

A presidenta brasileira aproveitou a oportunidade para demonstrar o seu orgulho publicamente sobre fato de se tornar, na quarta-feira, a primeira mulher na historia das ONU a abrir os debates da Assembleia Geral. “Gostaria de compartilhar esta honra com todas as mulheres aqui presentes, em especial com a sub-secretária, Michelle Bachelet, a primeira mulher da américa do sul a ser eleita presidenta do seu pais”, disse Dilma.

A primeira ministra de Trinidade e Tobago, Kamla Persad-Bissessar, apontou que 70% dos pobres no mundo são mulheres. Além disso, a política criticou o fato de meio milhão de mulheres ainda morrerem durante o parto todos os anos nos países em desenvolvimento e o fato do grupo feminino ser aquele com a maior incidência de HIV e Aids. Segundo Kamla, a falta de políticas de saúde específicas para as mulheres no mundo são as causas de números tão alarmantes.

A secretaria de Estado Hillary Clinton começou a sua participação no painel com uma piada. Ela disse que para uma mulher que tentou virar presidente, é maravilhoso ver que outras mulheres conseguiram virar presidentes. Depois disso, Hillary lembrou das revoluções que estão ocorrendo em diversos países árabes no Oriente Médio e reclamou: "ninguém pode se dizer democrático quando metade da sua população ( formada por mulheres ) é marginalizada".

A presidenta Dilma também lembrou que, apesar de avanços, ainda se tem muito trabalho pela frente para que as mulheres participem mais em fóruns de decisões, como na política, por exemplo. “No Brasil, nós mulheres somos 52% dos eleitores, mas apenas 10% do congresso nacional. Eu tenho me esforçado para ampliar a representação feminina”, afirmou. Como exemplo disso, a presidenta mencionou os dez ministérios do seu governo comandados por mulheres, e disse que “o núcleo central do governo é formado por mulheres ministras”.

Dilma aproveitou o evento para elogiar a criação da ONU Mulher e lembrou iniciativas brasileiras de proteção à mulher, como a Lei Maria da Penha.

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