'Eles não saem do meu pé', diz Lula sobre a imprensa

Em congresso da União Nacional dos Estudantes, ex-presidente matou a 'saudade' do microfone com críticas aos meios de comunicação

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva matou a saudade dos discursos públicos no início da tarde desta quinta-feira com uma série de ataques à imprensa na abertura do 52º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), em Goiânia (GO).

Em tom agressivo, usando palavras de baixo calão como “p...” e “babaca”, o ex-presidente reclamou da atenção dada pelos grandes jornais à sua atividade fora da Presidência. “Eu estou ficando invocado. Faz seis meses que saí da Presidência mas eles não saem do meu pé”, queixou-se Lula.

AE
Lula disse que estava com saudades de usar a expressão "nunca antes na história deste País"
A cobertura do congresso feita pela grande imprensa, especialmente O Globo , irritou o ex-presidente. Na edição de quarta-feira, o diário carioca publicou uma chamada na capa dizendo que a UNE realizaria um evento “chapa-branca”. Segundo a reportagem, estatais como a Petrobras financiaram o evento, estimado em R$ 4 milhões. A Prefeitura de Goiânia (PT) e o governo de Goiás (PSDB) também apoiaram o congresso que reúne 10 mil estudantes para, entre outras coisas, escolher a nova diretoria da UNE.

“E você Chagas ( Augusto Chagas, presidente da UNE ) não tenha preocupação com quem diz que você é chapa-branca. Existem alguns jornais no Brasil que se acham nacionais mas não chegam nem na Baixada Fluminense. Os grandes de São Paulo quase não chegam no ABC”, provocou Lula, lembrando que o governo federal liberou R$ 30 milhões para a construção da sede da UNE no Rio de Janeiro.

“Você liga a TV e tem propaganda de quem? Quem patrocina o futebol e as novelas? É a Petrobras, a Caixa Econômica Federal. Só que para eles isso é democracia e para vocês é ser chapa-branca”, reclamou.

O ex-presidente aproveitou que o tema era a imprensa para queixar-se também das reportagens sobre sua suposta interferência no governo Dilma Rousseff e sobre as diferenças entre ele e a presidenta, riscos da volta da inflação e a suposta herança maldita de seus oito anos de governo (termo que foi usado inicialmente por um jornal argentino).

Lula disse que a imprensa está distante da realidade da população que, cada vez mais usa outros meios para se informar. Para justificar o argumento, ele usou uma frase semelhante à empregada em um comício em Campinas, na campanha do ano passado, que desencadeou uma série de atritos com os defensores da liberdade de expressão.

“Eles não perceberam que o povo não quer mais intermediários entre eles e a informação. O povo está se informando de muitos outros jeitos”. Para o ex-presidente, as críticas partem de setores que “acham que pobre não pode andar de carro novo nem viajar de avião” e que “faculdade de medicina é coisa para rico. Pobre tem mais é que ser paciente”.

Farpas

O ex-presidente também atacou indiretamente o candidato derrotado à Presidência José Serra (PSDB). Segundo Lula, Dilma foi alvo da pior campanha difamatória da história eleitoral brasileira. Para exemplificar, citou o episódio em que Serra foi atingido com uma bolinha de pape l durante atrito entre apoiadores de sua candidatura e de Dilma no Rio de Janeiro. “Se eu fosse a imprensa ia atrás da tomografia que fizeram na cabeça dele”, sugeriu.

Lula foi ao congresso da UNE acompanhado do ministro da Educação, Fernando Haddad, seu favorito para representar o PT na disputa pela Prefeitura de São Paulo ano que vem. A fala do ex-presidente foi precedida de um vídeo feito pela UNE com três minutos de elogios à sua administração.

O ex-presidente chegou a ler uma nominata (lista com nomes de autoridades presentes), a exemplo do que fazia nos tempos da Presidência por exigência do cerimonial e admitiu que estava com saudade do microfone. “Eu estava com saudade deste bichinho aqui”, disse, apontando o aparelho. “Faz seis meses que deixei a Presidência. Também estava com saudade de dizer ‘nunca antes na história deste País’”, revelou Lula, que repetiu a expressão três vezes em seu discurso.

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