Bancadas do PMDB e do DEM não chegaram a acordo sobre parlamentares que ocuparão vagas na Mesa Diretora

A eleição de cargos para o comando da Câmara, marcada para esta terça-feira, irá colocar em evidência as disputas internas do PMDB e do DEM. As bancadas dos partidos não entraram em acordo sobre qual deputado do partido ficará com respectivas as vagas na Mesa Diretora.

O DEM tem três candidatos para a 2ª secretaria: Julio Cesar (PI), Jorge Thadeu Mudalen (SP) e Cláudio Cajado (BA). Esse último é aliado do grupo ligado ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que chegou a defender uma fusão com o PMDB e agora quer tirar Rodrigo Maia (DEM-RJ) do comando do partido.

Está marcada para março a convenção do DEM que irá escolher o novo presidente da sigla. Até então favorito para o posto, o senador José Agripino (RN) desagradou o grupo de Kassab e do ex-presidente do partido Jorge Bornhausen (SC). Isso porque recebeu o apoio em massa do grupo do Maia.

Para enfrentar Agripino, Bornhausen ameaçou lançar o ex-senador Marco Maciel (PE). A atitude tumultuou ainda mais a divisão de cargos. Haverá disputa pela liderança do DEM na Câmara. ACM (BA) e Eduardo Sciarra (PR) vão se enfrentar. “Tudo agora passa pela eleição do líder”, disse Agripino.

Disputas históricas

No PMDB, as disputas por cargos na Mesa Diretora são históricas. Em 2009, só houve consenso porque o representante do partido era o então deputado Michel Temer (SP), na época candidato a presidente da Câmara. Em 2011, a bancada do PMDB apresenta cinco nomes para concorrer à vaga de 1º vice-presidente.

São duas deputadas e três deputados: Rose de Freitas (PMDB-ES), Elcione Barbalho (PMDB-PA), Gastão Vieira (PMDB-MA), Osmar Serraglio (PMDB-PR), Edinho Bez (PMDB-SC). Até a manhã desta segunda-feira, havia um grupo que defendia que o partido escolhesse a primeira-secretaria em vez da primeira vice.

“Há a um grupo que prefere a primeira-secretaria porque são mais executivos e gostam de lidar com questões administrativas. Outra parte gostaria de comandar sessões”, disse o líder Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). “Esse tipo de disputa é comum no PMDB. Sempre buscamos o consenso. Se não der vamos ao voto”, completou.

 De acordo com a Constituição, as sete vagas do comando da Câmara têm de ser dividida pelos partidos de acordo com os tamanhos das suas bancadas. Com maior número de deputados eleitos, o PT tem o direito de ocupar a Presidência. Neste ano, Marco Maia (PT-RS) é o candidato.

Isso não impede a apresentação de candidaturas avulsas. Maia, por exemplo, tem um adversário: Sandro Mabel (PR-GO), que vai disputar a presidência sem o apoio do seu partido. Hoje pela manhã, Mabel chegou a divulgar que poderia desistir da eleição caso houvesse um pedido pessoal da presidenta Dilma Rousseff.

Outros postos

Terceira maior bancada na Câmara, o PSDB quer ficar com a primeira-secretaria. Os tucanos entraram em acordo com Marco Maia e a cúpula do PMDB, que teria direito a fazer a segunda escolha. Eduardo Gomes (PSDB-TO) é o nome indicado pelo partido para ficar com a vaga.

Por consenso, o PP indicou o deputado Dudu da Fonte (PE) para ser o representante do partido na Mesa e ocupar a segunda vice-presidência. Além de ajudar a presidir as sessões na ausência do presidente e do primeiro vice, o segundo vice é o corregedor da Casa. Por isso o cargo é estratégico.

Ex-presidente da Câmara (1993-1995) e com passagens por diversos cargos na Mesa Diretora, o deputado Inocêncio Oliveira (PE) conseguiu mais uma vez ser o indicado do seu partido, o PR, para um posto no comando da Câmara: será o terceiro secretário. “A experiência é sempre importante”, disse Inocêncio.

Depois de desistir de ser candidato a presidente da Câmara, o deputado Julio Delgado (PSB-MG) ganhou a indicação do seu partido para ocupar a quarta secretária. É a primeira vez que o PSB consegue uma vaga no comando da Câmara. Isso porque o partido sempre formou blocos e indicou representantes de outras siglas.

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