Eduardo Campos negocia ministério das Cidades com Dilma

PP já foi avisado sobre intenção de a presidenta eleita repassar a pasta aos aliados socialistas

Adriano Ceolin e Andréia Sadi, iG Brasília |

Setores do PP já foram informados que, dificilmente, o ministério das Cidades continuará com o partido no governo Dilma Rousseff (PT). Segundo o iG apurou, a presidenta eleita está disposta a entregar a pasta ao PSB. As negociações estão sendo conduzidas pelo presidente do partido governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que tem dito a interlocutores que “a prioridade é o ministério das Cidades”.

Na semana que vem, Campos volta a Brasília para conversar sobre o assunto com Dilma e os coordenadores da transição: José Eduardo Dutra, José Eduardo Cardozo e Antonio Palocci. O governador tem dois nomes para ocupar a pasta: a primeira opção é Fernando Bezerra, atual secretário de Desenvolvimento em Pernambuco. O segundo nome é o deputado Márcio França (PSB-SP), líder do partido na Câmara.

França disse ao iG que não tem dado declarações à imprensa sobre a possibilidade de ocupar posto em ministério. No entanto, a interlocutores próximos, tem dito que a pasta de Cidades “tem tudo a ver com ele”. Ele foi prefeito de São Vicente (SP) por dois mandatos 1997-2000 e 2001-2004. Recentemente, consolidou-se como principal liderança do PSB paulista e, mais recentemente, como liderança na Câmara.

O PSB tenta se aproveitar da crise no PP para tentar ficar com as Cidades. O partido comanda a pasta desde 2005 e o ministro Márcio Fortes é bem avaliado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela presidenta eleita Dilma Rousseff. A bancada da Câmara, no entanto, trabalha contra Fortes porque quer indicar um deputado para o posto. O ministro conta com o apoio do senador Francisco Dornelles (RJ), presidente da sigla.

Além do PSB, nomes do PMDB e PT aparecem na bolsa de apostas para ocupar o partido. O líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves, disse aos pepistas que a sigla não reivindicará a pasta das Cidades. O PT, contudo, não deu a mesma garantia e até defendeu uma divisão do ministério em duas partes: a Habitação e do Saneamento. O iG publicou reportagem sobre o assunto na terça-feira.

A bancada do PP na Câmara ficou irritada com a possibilidade de dividir o ministério com o PT. “Desse jeito é melhor tomar logo a pasta”, disse um deputado cotado como ministro. Contudo, pesa contra o partido o fato de não ter apoiado Dilma logo no primeiro turno. No Palácio do Planalto, avalia-se que a possibilidade de se fazer acordos pontuais com PP sem ceder pasta.

Outras opções do PSB
Além das Cidades, o PSB pediu a pasta da Integração Nacional. Nesse caso, Fernando Bezerra é o mais forte candidato. O problema é que o PMDB tenta manter o posto, que foi do deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) até abril deste ano. Para ter Integração ou Cidades, o PSB admite ceder Ciência e Tecnologia e a Secretaria de Portos, cargos que ocupa atualmente

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