Eduardo Campos e Aécio são amigos e podem fazer chapa fortíssima

Marcus Pestana, presidente do PSDB de Minas, elogia governador de Pernambuco e diz que ele e Aécio têm "uma afinidade de visão sobre o Brasil"

Denise Motta, iG Minas Gerais |

Os dois são amigos e parceiros, têm uma parceria histórica. Eles têm uma afinidade de visão sobre o Brasil. Sem dúvida, é uma chapa fortíssima”

Uma semana após o senador Aécio Neves (PSDB-MG) se reunir com o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos , para discutir acordos eleitorais para 2012, o presidente do PSDB de Minas Gerais, deputado federal Marcus Pestana, afirmou que uma composição do mineiro com o pernambucano, para as eleições presidenciais de 2014, é, “sem dúvida, uma chapa fortíssima”. 

Pestana declarou em almoço com tucanos na capital mineira que Aécio e Campos são de uma “nova geração na política brasileira” e ambos serão “protagonistas no cenário nacional pelos próximos 20 anos”. “Os dois são amigos e parceiros, têm uma parceria histórica. Eles têm uma afinidade de visão sobre o Brasil. Sem dúvida, é uma chapa fortíssima”, avaliou o dirigente tucano.

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Na semana passada, Aécio e o governador pernambucano se encontraram em um café da manhã na casa da mãe de Campos, a deputada federal Ana Arraes (PSB). Também estiveram presentes Pestana e o governador mineiro Antonio Anastasia (PSDB), além do prefeito da capital mineira, Marcio Lacerda (PSB). Na pauta, segundo Pestana, um convite formal do PSB para que os tucanos participem de aliança para reeleger o atual prefeito de Belo Horizonte. O acordo passaria por uma chapa de Lacerda na cabeça, tendo um vice petista, e com a manutenção da presidência da Câmara Municipal nas mãos do PSDB. A articulação de Aécio é sinalização de que ele joga para seduzir aliados da base federal em torno de sua legenda. Hoje o PSB integra a base de apoio da presidenta Dilma Rousseff (PT). Em Minas, o PSB é da base do governo estadual tucano.

Divulgação
Eduardo Campos e Aécio Neves, em imagem de 2010: eles serão "protagonistas no cenário nacional pelos próximos 20 anos", diz presidente do PSDB de Minas
Eleições 2012

A articulação de Aécio, reunindo lideranças em Brasília, parece ter repercutido mal nas instâncias de base do PSDB. O presidente da sigla em Belo Horizonte, deputado estadual João Leite, não participou do encontro. “Quem decide quem será o presidente da Câmara são os vereadores”, criticou o vereador tucano Léo Burgues, atual presidente da Câmara Municipal, ao ser questionado se via com bons olhos o plano traçado por caciques em Brasília.

Para tentar apaziguar os ânimos, Leite e outras lideranças municipais foram convidadas por Pestana para um almoço no começo da tarde desta terça-feira (06). O presidente do PSDB de Minas disse ter convocado lideranças municipais para informá-las sobre o convite de Campos. A crítica entre os vereadores foi de que o encontro na casa da mãe do governador pernambucano seria desrespeitoso, sem participação das bases da legenda em Minas. E sempre foi o próprio senador Aécio quem condenou as decisões eleitorais do PSDB em reuniões fechadas com participação de poucos caciques.

“Recebemos o convite com respeito, mas é a base quem vai decidir. O Aécio disse que é a base quem vai decidir. A base do PSDB se sente vitoriosa e já apresentou formalmente um documento pela candidatura própria. Os vereadores também querem candidatura própria. Temos os nomes do Rodrigo de Castro (deputado federal), Eduardo Azeredo (deputado federal), Narcio Rodrigues (secretário estadual de Ciência e Tecnologia)”, disse Leite. O dirigente municipal perdeu a prefeitura para Célio de Castro, no ano 2000, e para Fernando Pimentel, em 2004, ambas no primeiro turno. Ele diz que mantém conversas com o deputado federal Leonardo Quintão (PMDB), que perdeu para Lacerda no segundo turno, em 2008.

Já o presidente do PSDB mineiro sinalizou ser importante a ampliação da participação dos tucanos na administração Lacerda. Ele disse que mais do que vice, são importantes as posições no secretariado municipal. E citou como exemplos as pastas de Saúde, Educação e Fazenda. Em entrevista ao iG no começo de julho deste ano, o presidente estadual do PSB, Walfrido dos Mares Guia, disse ser possível acordo entre PSB, PT e PSDB para a eleição na capital em 2012 , mas que é extremamente importante a distribuição de espaço aos partidos da aliança, ou seja, a indicação de nomes para os cargos de primeiro escalão. Hoje o PSDB ocupa a secretaria municipal de Saúde, com Marcelo Teixeira, e a empresa de transportes e trânsito, BHTrans, com Ramon Victer.

Também sobre a indicação de vice na chapa de Lacerda, Pestana lembrou tese do ex-governador de Minas, Hélio Garcia, de que “vice, se não criar problema, já está servindo”. A lembrança remeteu ao relacionamento entre Lacerda e seu atual vice, Roberto Carvalho (PT). Os dois raramente aparecem juntos em agendas administrativas. Carvalho é defensor da candidatura própria do PT no próximo ano, o que abalou a relação com o prefeito, que pretende disputar a reeleição. Nas mais variadas instâncias petistas, já se discutem outros nomes da sigla para substituir Carvalho, se a chapa entre PSB e PT continuar.

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