'Doa a quem doer', diz presidente do PT sobre CPI de Cachoeira

Dirigente petista saiu em defesa de Agnelo Queiroz e disse que presunção de inocência também vale para o tucano Marconi Perillo

Denise Motta, iG Minas Gerais |

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirmou nesta sexta-feira (13) que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar as relações do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlos Cachoeira, com políticos é a maior prova de que o partido está empenhado em aperfeiçoar instituições brasileiras para combater a corrupção, “doa a quem doer”.

“O fato de nós (PT) termos tomado iniciativa de propor a CPI no Congresso Nacional é mais uma prova de que estamos empenhados nisso, doa a quem doer”, disse.

Questionado sobre se temia que petistas acabassem envolvidos no esquema de corrupção, Falcão demonstrou que não está preocupado e destacou confiança no governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT).

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“Segundo ele informou a empresa Delta (relacionada com Cachoeira) prestou serviço de coleta de lixo por decisão judicial. Não há nada ou nenhum negócio por lobby. Ele está se explicando.” Queiroz foi associado a Cachoeira em escutas telefônicas da operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que levou o contraventor à cadeia.

Falcão ainda disse que trabalha com a presunção de inocência e que esta tese, inclusive, deve ser aplicada no caso de Marconi Perillo, governador tucano de Goiás. Perillo teve o nome envolvido em suposto esquema com o crime organizado. Escutas telefônicas indicam envolvimento da ex-chefe de gabinete do governador tucano, Eliane Gonçalves Pinheiro, com Cachoeira. Ela foi exonerada após a revelação das escutas. Tanto Agnelo como Perillo devem ser ouvidos na CPMI.

Em Minas

O dirigente petista esteve em Belo Horizonte para uma palestra sobre o governo federal do PT e ainda tratou de reunir-se com o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), e o presidente estadual do PSB, Walfrido Mares Guia. De Walfrido, Falcão recebeu uma carta com diretrizes para a manutenção de aliança com os petistas. Entre os pontos, está uma repactuação especialmente em áreas sociais, bandeira petista. No domingo, o PT de Minas Gerais fará um encontro para discutir o assunto.

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“Não podemos escolher os convidados de uma festa. Vamos apoiar o PSB, coligar com o PSB. Agora, se o PSB quiser coligar com o PSDB, é iniciativa dele”. Minas tem 853 municípios e, segundo o presidente estadual do PT, deputado federal Reginaldo Lopes, em 25 o PT deve ser cabeça de chapa tendo o PSDB de vice. E em outras 25 cidades tucanos devem encabeçar a chapa tendo petistas como vices.

O ex-presidente Lula está de acordo com a coligação do PT em torno de Lacerda. Segundo Falcão, Lula já afirmou que fará campanha “para o PT, para o 13”, ou seja, não deve participar da disputa em Belo Horizonte. Com a possibilidade de haver um candidato do PMDB, disputando contra Lacerda, na capital mineira, a possibilidade de a presidenta Dilma participar é pequena. “Dilma não fará campanha para candidatos do PT que colidam com a base aliada”, avisou.

O prefeito Marcio Lacerda reafirmou confiança na manutenção da aliança com petistas e tucanos e, pela primeira vez, comentou abertamente sobre desentendimentos com seu atual vice, Roberto Carvalho, que é presidente do PT de Belo Horizonte. Carvalho lidera um grupo petista contra a aliança com Lacerda e com tucanos na mesma coligação.

“Desde a primeira semana de governo ele já se posicionou como pré-candidato em 2012, em várias articulações que fez. Ele teve uma participação discreta na gestão e fez política todo tempo. E o fato de ele ter se tornado dirigente municipal, sendo vice-prefeito e pré-candidato ao mesmo tempo, isso criou uma situação muito conflituosa até de conflito de interesses dele próprio. Foi um erro que o próprio partido cometeu de ter um pré-candidato vice-prefeito e presidente municipal. O PT reconhece isso hoje, inclusive a nível nacional”, afirmou o prefeito.

O presidente nacional do PT foi questionado se reconhecia mesmo este “erro” apontado por Lacerda, mas esquivou-se de comentar o assunto.

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