Dividido, PT mineiro decide se rompe ou mantém aliança em BH

Várias alas do partidos intensificam a mobilização com o objetivo de decidir se partido é situação ou oposição na eleição de 2012

Denise Motta, iG Minas Gerais |

Não estamos pautando as relações com o PSB pensando no Aécio Neves. O que importa é que temos uma relação histórica que vem desde 1993”, diz presidente nacional do PT

Entre os petistas de Minas, a reedição da aliança entre PT e PSB em Belo Horizonte, nas eleições de 2012, é estratégica para manter o apoio socialista em 2014. O PSB vem sendo cortejado pelo PSDB, dentro do projeto para que o senador mineiro Aécio Neves dispute a sucessão de Dilma Rousseff , em dois anos. Na tentativa de barrar o assédio tucano, petistas reagiram nesta sexta-feira (13).

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A manobra para tentar fortalecer a tese de apoio ao prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), articulada por uma ala do PT municipal, inclui a apresentação de um documento com 16 assinaturas favoráveis à discussão da proposta dentro da legenda. As assinaturas são de membros do diretório municipal e obedecem regimento petista para que o apoio ao prefeito entre formalmente na discussão sucessória. A argumentação dos petistas favoráveis à manutenção da aliança entre a sigla e o PSB está sintonizada com a avaliação do presidente nacional do PT, Rui Falcão.

Divulgação
Dilma Rousseff, Lula e Eduardo Campos, durante a campanha de 2012
Em entrevista ao iG , Falcão destacou que o PSB é um aliado histórico dos petistas na capital mineira. Além disso, a legenda de Lacerda é aliada importante da presidenta Dilma Rousseff e o PT trabalha para que o casamento entre os dois partidos continue firme em 2014, quando a presidenta deverá tentar reeleição. “Questionei o Lacerda sobre qual será o posicionamento dele em 2014 e ele me disse que seguirá orientação do PSB nacional. Como estamos caminhando para reeditar esta aliança em 2014, ficamos tranquilos”, destacou o dirigente nacional do PT.

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Aécio e o governador de Minas, Antonio Anastasia (PSDB), que dentre seus aliados no Estado conta com o PSB, têm evitado qualquer tipo de atrito com o partido dirigido pelo governador de Pernambuco Eduardo Campos. Prova disso é que nem Aécio nem Anastasia criticaram publicamente o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra (PSB) . O ministro é suspeito de favorecer seu Estado com verbas para prevenção de catástrofes e, com isso, prejudicar Minas Gerais. Questionado sobre as manobras de Aécio para atrair o PSB, Falcão desconversou: “Não estamos pautando as relações com o PSB pensando no Aécio Neves. O que importa é que temos uma relação histórica que vem desde 1993”.

O presidente nacional do PT nega que haja possibilidade de uma divisão no partido, como aconteceu em 2008. E também nega intervenção nacional na capital mineira. Ele disse ser natural que o partido apoie aliados históricos e ser preciso levar em consideração a conjuntura nacional. “Ainda que o PT tivesse candidato para participar em igualdade de condições, a questão não deve ser colocada desta maneira. Se estamos juntos com o PSB há 18 anos, por que separar agora?”, questionou.

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O presidente estadual do PT em Minas, deputado federal Reginaldo Lopes, praticamente repete a tese de Falcão. Para ele, a entrada ou não dos tucanos na aliança a favor de Lacerda deve ser uma “discussão periférica”. “Minha concepção de apoio ao Lacerda é uma concepção nacional”, destacou Lopes, lembrando que, no dia 18 de agosto do ano passado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve na capital mineira e se manifestou a favor da manutenção da aliança dos petistas com o PSB em Belo Horizonte. Na ocasião, Lacerda participou de um almoço com Lula e outros petistas , em um restaurante na região da Pampulha.

Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr
Aécio Neves, Eduardo Campos e José Serra, em foto de setembro de 2008
Enquanto esta ala do PT coloca em discussão a tese de apoio a Lacerda, uma outra corrente no partido em Belo Horizonte busca reforço à proposta de lançamento de uma candidatura própria. Esta outra corrente no partido é ligada ao presidente municipal do PT, o vice-prefeito de Belo Horizonte, Roberto Carvalho. Na próxima segunda-feira (16), o grupo entrega a Carvalho, no PT municipal, um manifesto a favor da candidatura própria, com 3 mil assinaturas de filiados da legenda em Belo Horizonte. O PT na capital mineira possui cerca de 11 mil filiados, mas, em 2008, apenas 4 mil votaram a favor da aliança com Lacerda.

Já o grupo do ex-ministro Patrus Ananias é direto: "Infelizmente, as forças hegemônicas do PT de Belo Horizonte conduziram o processo sucessório de 2008 com uma série de equívocos de conteúdo e de método. Sem consulta prévia às lideranças e à base do partido, decidiram fazer uma aliança com o
PSDB, adversário do nosso projeto democrático-popular e do governo Lula, o que causou estranheza e perplexidade à militância petista de Minas Gerais e de todo o País", diz nota assinada por um grupo de petistas - Patrus entre eles. "As sequelas daquele processo verticalista e excludente são visíveis até hoje em nosso partido. Lembremo-nos de que nas eleições de 2010 nossa bancada federal diminuiu, perdemos a oportunidade de eleger nosso primeiro senador e a presidenta Dilma, embora largamente vitoriosa em Minas, perdeu em Belo Horizonte nos dois turnos".

Limite para definição é abril

Conforme informações do secretário-geral do PT-BH, Geraldo Arcoverde, o PT tem uma data limite para definir se apoia a reeleição de Lacerda ou lança candidato. Com a apresentação do documento com as assinaturas de integrantes do diretório municipal, foi obedecido a data-limite para que este tipo de proposta seja discutida no partido. O prazo vence no domingo, dia 15. O mínimo de assinaturas necessárias para uma proposta como essa é estipulado em 15.

Com esta proposta formalmente apresentada, o PT irá preparar um encontro municipal. Deste encontro, poderá sair uma definição, por meio de debates. Caso não haja consenso, as duas teses (apoiar Lacerda ou lançar candidato próprio) serão votadas por delegados. A escolha dos delegados está prevista para ocorrer no dia 3 de março.

Na próxima segunda-feira, o PT de BH realiza reunião para acertar detalhes de um congresso, onde os rumos do partido dentro das eleições 2012 serão discutidos. Será neste congresso a votação das duas propostas. Já a definição de um nome petista para ser vice de Lacerda deve ocorrer entre o final de abril e 30 de junho, data limite estabelecida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a realização de convenções partidárias.

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