Disputa pela capital paulista sacode cenário político nacional

Enquanto Serra lidera pesquisas com desafio de unir PSDB, Haddad conta com Lula para alavancar candidatura petista em São Paulo

Nara Alves, iG São Paulo |

Com orçamento anual de quase R$ 40 bilhões e mais de 8 milhões de eleitores, o município de São Paulo será palco da disputa eleitoral mais proeminente no cenário político nacional. A articulação em torno dos principais pré-candidatos envolve figurões não só da capital como de todo o Estado. A corrida paulistana baliza decisões em Brasília e interfere na definição de alianças nas maiores capitais do País.

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Gisella Gutarra Sedano/Divulgação
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O líder nas pesquisas de intenção de voto é o pré-candidato do PSDB, José Serra . Ele tem pela frente o desafio de unir o partido em torno de sua campanha depois de um processo de prévias internas conturbado pela pressão exercida pela aproximação entre PSD e PT. Para isso, o ex-presidenciável espera contar com a sustentação do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e do prefeito Gilberto Kassab (PSD), seu afiliado político. Serra negocia, ainda, aliança com o DEM.

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O presidente do PSDB-SP, deputado Pedro Tobias, afirma que a campanha de Serra poderá contar com ajuda, inclusive, do senador mineiro Aécio Neves (PSDB), favorito para disputar a presidência pelo partido em 2014. “O grupo de Aécio ficou feliz com a vitória de Serra nas prévias porque tirou a concorrência. Eles podem ajudar em São Paulo financeiramente ou com a vinda dele para cá”, diz. Ao vencer o pleito interno, Serra declarou que seu sonho da Presidência está “adormecido” até 2016 .

Desde que assumiu a intenção de voltar à prefeitura, Serra procura polarizar a disputa com o ex-presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva , que lançou o ex-ministro Fernando Haddad (PT). Apesar do tratamento contra o câncer, Lula tem articulado com o PSB , do governador Eduardo Campos (PE). Para garantir a aliança em São Paulo, o PT oferece contrapartida em Macapá (AM), Mossoró (RN), Duque de Caxias (RJ), Cuiabá (MT) e Belo Horizonte (MG).

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O ex-ministro, no entanto, até agora não decolou nas pesquisas de intenção de voto. “Quando Lula participar, a Marta (senadora Marta Suplicy) vai entrar na campanha naturalmente. Assim que ficar claro que Haddad é o candidato do PT, ele vai alcançar o patamar do partido, que é de 30%”, calcula o vereador José Américo (PT). Ao contrário de Lula e Marta, a presidenta Dilma Rousseff pretende ficar afastada. Ela quer evitar entrar nas disputas em que PT e PMDB tenham lançado candidatos – como é o caso de São Paulo – para não agravar a crise entre governo e a base aliada no Congresso.

Fator igreja

Na capital paulista, o partido do vice-presidente Michel Temer (PMDB) lançou o deputado Gabriel Chalita , ex-PSB, ex-PSDB e recém-filiado ao PMDB. Em conversa com Dilma, o vice-presidente avisou que vai atuar na articulação e na campanha de Chalita, uma vez que Lula estará presente na campanha de Haddad. Para Temer, o bom desempenho de seu candidato é fundamental para o ressurgimento do partido – enfraquecido em São Paulo desde a morte de Orestes Quércia – e seu fortalecimento na esfera nacional.

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O principal ativo eleitoral de Chalita é a proximidade com setores da igreja católica e denominações evangélicas. Além das alianças com o PTC e PSC, partidos ligados a igrejas cristãs, o PMDB flerta com o PTB e com o PRB, ligado à Igreja Universal do Reino de Deus. As negociações com o líder do PTB no Senado, Gim Argello (DF), e com o pré-candidato do PRB, Celso Russomanno, são lideradas por Temer em Brasília. Embora Russomanno aparece em segundo lugar nas pesquisas, seu teto eleitoral é considerado baixo demais para que tenha reais chances de vitória.

Para reforçar o discurso de oposição de Chalita com relação à gestão Kassab, o PMDB deve, inclusive, abrir mão de duas secretarias municipais. A sigla, portanto, deixaria de estar na atual administração para criticá-la. A mudança desagrada a base do partido, tradicionalmente ligada aos tucanos, e representa um desafio para o pré-candidato, nomeado presidente do PMDB paulistano após uma intervenção de Temer.

Articulação

Embora neguem publicamente, dois partidos vinculam decisões na capital paulista a questões do governo federal. O deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (PDT), que se lançou pré-candidato em São Paulo, reclama da demora da presidenta em nomear o novo ministro do Trabalho . Já o PR, que chegou a romper com Dilma no Senado , aguarda definição da presidenta sobre o Ministério dos Transportes para decidir se apoiará ou não Fernando Haddad. Parte do PR defende apoio a Serra.

O candidato tucano poderá contar com o PPS em outubro. Embora esteja fora da coligação com o PSDB por lançar a pré-candidatura da ex-vereadora Soninha Francine, o PPS deve colaborar com a campanha tucana como uma espécie de “linha auxiliar”. Em 2010, Soninha chegou a atuar como coordenadora da campanha do tucano na internet.

O PCdoB, que lançou Netinho de Paula como pré-candidato, também ainda mantém negociação aberta com o PT. O presidente nacional do PT, deputado Rui Falcão, admite inclusive a possibilidade de o PT apoiar a candidatura da deputada Manuela d’Ávila (PCdoB) em Porto Alegre. “Em política nada é ‘imexivel’”, afirmou Falcão ao iG .

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