Disputa eleitoral atrapalha governo no Congresso

Aprovação do fim do fator previdenciário na Câmara demonstra rebeldia da base aliada e interesses em liberação de emendas

Adriano Ceolin, iG Brasília |

A disputa eleitoral contaminou as votações no Congresso, causando problemas para os interesses do Palácio Planalto. O caso mais claro é na Câmara dos Deputados, onde nesta terça-feira o governo foi derrotado na aprovação do fim do fator previdenciário.

Apresentando-se como homem forte no Congresso e no PMDB, o presidente da Câmara, Michel Temer (SP), conseguiu ser indicado vice da candidata Dilma Rousseff (PT). Porém, desde que isso ocorreu, o governo passou a somar revezes na Casa.

Maior bancada na Câmara, o PMDB aproveita-se da situação para aumentar seu cacife no governo. “Nosso partido sempre teve como característica a independência”, o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN).

Com os olhos voltados para os Estados, os deputados querem garantir o restante de liberação de emendas e evitar aprovar projetos impopulares. Essa postura não é só da bancada do PMDB, mas de praticamente de toda a base aliada ao governo.

Quarto maior partido na Câmara, o PP é dono do Ministério das Cidades. No entanto, a bancada não se vê bem representada pelo ministro Márcio Fortes, considerado pelos deputados como muito servil aos interesses do Planalto.

Na semana passada, Fortes avisou o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, que teria de liberar R$ 160 milhões em emendas parlamentares para acalmar a bancada do PP. São cerca de três milhões para cada deputado.

O PP e o PMDB acham pouco. O iG apurou que os deputados querem logo a liberação dos R$ 12 milhões previstos no Orçamento. Nesse caso, o raciocínio também é eleitoral. Os deputados candidatos querem mostrar para suas bases que conseguem investimentos, obras e projetos.

Com experiência de quem já foi ministro e líder de partido, o deputado governista Sarney Filho (PV-MA) avalia: “É uma irresponsabilidade do Temer permitir uma pauta polêmica como esta. Está todo mundo pensando em eleição. A partir de agora os deputados vão votar no que dê voto”.

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