Dirceu diz que o BNDES impediu quebra do Brasil

Em seminário, o ex-ministro da Casa Civil e ex-deputado também disse que o nível da taxa de juros é o maior problema do Brasil

Agência Estado |

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O ex-ministro da Casa Civil e ex-deputado José Dirceu (PT) engrossou o coro em defesa da atuação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) na economia brasileira, durante e após a crise mundial. Em seminário realizado no Instituto Fernand Braudel, em São Paulo, ele destacou que, se não fosse o banco estatal, o Brasil teria quebrado entre 2008 e 2009.

"O BNDES, ao lado dos fundos de pensão, Banco do Brasil e Caixa, foi o grande diferencial para o País enfrentar a crise. Sem os bancos públicos, teríamos quebrado", afirmou ele, para uma plateia selecionada de economistas, consultores e empresários. Na avaliação de Dirceu, essas instituições são a garantia do desenvolvimento do Brasil, do ponto de vista de política industrial e de agregar valor ao produto nacional.

"Se não entendermos isso, não vamos entender o papel do BNDES, que não é um banco privado, mas um banco público, que está a serviço do desenvolvimento do País e do interesse público", afirmou ele, referindo-se às críticas de que o financiamento do banco está concentrado apenas em 12 grandes empresas. Na opinião do ex-deputado, cassado em 2005 pelo envolvimento no escândalo do mensalão, o Brasil está criando empresas internacionais, atores internacionais, que agregam valor à marca, à logística e à capacidade de disputar mercados no mundo.

"Não estamos criando ficção, estamos criando grandes empresas do nível de Gerdau e Votorantim", disse Dirceu, apoiado pelo economista do BNDES, Marcelo Miterhof. O executivo frisou que o banco atua em benefício de todos os setores produtivos sem nenhum tipo de privilégio.

Dirceu emendou que o BNDES tem de correr riscos. "O banco está correndo risco, admite que está correndo risco, mas isso ocorre porque não estamos vivendo uma situação normal, estamos vivendo uma emergência", avaliou ele, observando que isso justifica o "tensionamento" no Orçamento Geral da União para sustentar investimentos.

Na outra ponta da mesa, o economista Mansueto Almeida, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), reclamou da falta de transparência do governo em relação à divulgação dos custos financeiros assumidos pelo Tesouro na concessão de financiamentos a taxas de juros subsidiadas pelo BNDES. A maioria das operações do banco se baseia na Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que está em 6% ao ano, enquanto a taxa básica de juros da economia, a Selic, está em 10,75% ao ano.

Durante todo o evento, o ex-ministro José Dirceu criticou arduamente o atual nível da taxa de juros do Brasil. Ele afirmou que não consegue ver explicação no recente ciclo de alta da taxa Selic. "Hoje esse é o maior problema do País. Quando os juros caírem, teremos um robusto mercado de capital", disse ele.

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