Dilma tem bom começo e ajuste fiscal é desafio, diz Economist

Revista britânica diz que presidenta será julgada pela condução da economia e elogia atenção aos direitos humanos

BBC Brasil |

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Nas primeiras seis semanas do novo governo, a presidenta Dilma Rousseff tranquilizou quem achava que ela seria mais ideológica do que seu pragmático antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva , e deu mostras de que dará mais atenção aos direitos humanos na política externa brasileira, diz a revista britânica The Economist . Mas, segundo a reportagem, publicada na edição da revista que chegou às bancas nesta sexta-feira (18), apesar de tudo isso, Dilma será julgada por sua performance na condução da economia.

Roberto Stuckert Filho
Diferente de Lula, a presidenta Dilma Rousseff já anunciou sua posição a favor dos direitos humanos para a comunidade internacional
"Poderá ela sustentar o rápido crescimento sem sacrificar a estabilidade econômica? A tarefa não é fácil", questiona a reportagem, alegando que Dilma herdou "uma economia superaquecida, com a inflação se acelerando e com empresários se queixando do real forte".

A Economist elogiou o fato de o governo ter rapidamente se comprometido com a austeridade fiscal, mas advertiu que o plano de cortar R$ 50 bilhões do Orçamento deve ser "insuficiente" e "difícil de implementar".

Isso porque a maior parte do Orçamento consiste em recursos difíceis de serem cortados, como o pagamento do funcionalismo, saúde, educação, além dos programas sociais que a presidenta prometeu manter intocados.

"Dilma pode ter que aumentar impostos, mas alguns analistas acham que ela vai recorrer a investidores privados para financiar melhorias nos transportes (de olho na Copa do Mundo e nas Olimpíadas). Isso pareceria uma virada radical: durante a campanha presidencial, ela criticou seu adversário, José Serra , pelas supostas tendências privatizantes dele".

A questão que a revista levanta é a capacidade da presidenta de promover a competitividade das empresas brasileiras, de trazer investimentos privados ao setor aeroportuário e conseguir que o Congresso aprove reformas que dinamizem o País.

Maturidade

Ao mesmo tempo, outra reportagem da Economist diz que o Brasil se tornou um mercado extremamente atraente para fundos de private equity e fundos hedge. Entre os motivos estão "a maturidade do mercado de capital", a variedade de opções para o investidor e a redução das taxas de juros (com relação ao patamar de 2003, de 26,5%). "Em vez de só aparecer para visitar, (os fundos) agora querem montar escritórios (no Brasil) e contratar negociadores locais".

A reportagem conclui que mercados emergentes como o brasileiro ainda oferecem riscos - a inflação é um deles -, mas sustenta que as turbulências do passado deixaram o País mais preparado. Nas palavras de um investidor externo, é como se "eles ( os brasileiros ) tivessem feito muita quimioterapia e sobrevivido".

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