Comissão de Ética dará esclarecimentos a Dilma na segunda-feira

De acordo com Sepúlveda Pertence, ofício encaminhado pela presidenta já foi entregue ao órgão

AE |

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A presidenta Dilma Rousseff será informada na próxima segunda-feira do processo da Comissão de Ética Pública da Presidência que recomendou a exoneração do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, informou hoje o presidente do órgão, Sepúlveda Pertence. "Não darei declarações sobre o tema, antes de responder à presidenta da República, o que pretendo fazer na segunda-feira", disse Pertence, após encerramento de seminário em Brasília sobre ética na gestão.

Leia também: Comissão de Ética pede demissão do ministro Carlos Lupi

Segundo ele, já chegou à Comissão um ofício da ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffman, solicitando esclarecimento sobre o processo. Por unanimidade, os conselheiros recomendaram a demissão de Lupi, cuja pasta tem sido alvo de uma série de denúncias. Durante discurso de encerramento do seminário, Pertence disse que a realização de debates como esse vem "marcando desde o início da fundação dessa comissão de mentirinha, como já dizem uns, ( para se referir à ) da Comissão de Ética da Presidência da República".

Depois, ao ser questionado por jornalistas sobre o comentário, disse que quis fazer uma referência ao "caríssimo amigo senador Pedro Simon (PMDB-RS)", que afirmou, no dia 21 de novembro, que a Comissão é de "mentirinha, foi feita para não valer".

"É apenas uma brincadeira com meu amigo Pedro Simon", explicou Pertence. O presidente da Comissão de Ética Pública afirmou ter votado "absolutamente convencido" no processo de Lupi, "mas é claro que um pedido de reconsideração (do ministro Carlos Lupi) é para ser examinado e estudado".

Pertence não quis comentar o tom do relatório da conselheira Marília Muricy. Para a relatora, a "enxurrada de denúncias" no Ministério do Trabalho abala a "administração pública federal como um todo".

"É de concluir-se que a conduta do sr. Carlos Lupi, seja por suas inquestionáveis e graves falhas como gestor, seja pela irresponsabilidade de seus pronunciamentos públicos, não se coaduna com os preceitos éticos estabelecidos pela alta administração federal", afirma o relatório.

Defesa

Relatora do caso de Lupi na Comissão de Ética, a conselheira Marília Muricy, afirmou que a decisão de Dilma de dar sobrevida a Lupi não desafia a Comissão de Ética. "Não vejo como um desafio, absolutamente. Em primeiro lugar, a presidenta não está subordinada à Comissão de Ética. Ao contrário, a Comissão de Ética é criada por um decreto presidencial, os membros são nomeados pela presidenta da República e a Comissão de Ética assessora a Presidência", afirmou Marília, após encerramento de seminário sobre ética na gestão, em Brasília.

No relatório, acatado por unanimidade pelos conselheiros da Comissão, a conselheira sustenta que a "enxurrada de denúncias" abala a "administração pública federal como um todo". "É de concluir-se que a conduta do sr. Carlos Lupi, seja por suas inquestionáveis e graves falhas como gestor, seja pela irresponsabilidade de seus pronunciamentos públicos, não se coaduna com os preceitos éticos estabelecidos pela alta administração federal", diz o relatório.

Questionada se mantinha o tom do relatório, a conselheira disse que reafirma "palavra por palavra, vírgula por vírgula, ponto e vírgula por ponto e vírgula", mas destacou que o ministro tem "todo o direito de pedir reconsideração".

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