Dilma questiona Comissão de Ética e mantém Lupi

Presidenta tem resistido demitir ministro para não perder margem de manobra na reforma ministerial do início de 2012

Reuters |

A presidenta Dilma Rousseff manteve Carlos Lupi no cargo de ministro do Trabalho nesta quinta-feira, mesmo com recomendação da Comissão de Ética da Presidência da República de exonerá-lo do posto em meio a denúncias de irregularidades na pasta e contra ele.

Dilma tem resistido a demitir Lupi para não perder mais margem de manobra na reforma ministerial esperada para o início de 2012. Se substituísse Lupi agora, a presidente sofreria pressão para manter um nome indicado pelo partido do ministro, o PDT, na pasta.

AE
Lupi tem conseguido se manter no cargo apesar de diversas denúncias

Lupi tem conseguido se manter no cargo apesar de diversas denúncias, mas sofreu um forte revés na quarta-feira, quando a Comissão de Ética Pública decidiu recomendar à Dilma a exoneração do ministro por ter considerado desvio de ética do ministro os casos de irregularidades de convênios e cobrança de propina no Ministério do Trabalho, divulgados pela imprensa.

Segundo o grupo, as explicações dele ao Congresso e à própria comissão foram "não satisfatórias" e "inconvenientes".

A permanência de Lupi foi acertada após reunião entre ele e Dilma pela manhã desta quinta e foi definida mesmo com a publicação de nova denúncia envolvendo o ministro.

Na reunião, Dilma afirmou que pedirá à Comissão de Ética "os elementos que embasaram a decisão e a sugestão" de exoneração de Lupi, informou a Presidência da República.

O próprio Lupi também pedirá uma explicação sobre as bases da decisão da comissão, inclusive a ata e a degravação, e pedirá uma reconsideração da sugestão.

A manobra de manter Lupi, no entanto, pode afetar a imagem de Dilma, que tem se esforçado na mensagem de ser menos tolerante com o que considera "malfeitos". Desde junho, cinco ministros deixaram o governo diante de denúncias de irregularidades.

Fato novo, denúncia nova

O presidente da Comissão, Sepúlveda Pertence, disse que o pedido de Dilma "é um fato novo" e que não iria se manifestar. Questionado se era possível haver uma reunião extraordinária para analisar o pedido da presidente, ele disse à Reuters que "pode ser que sim".

O próximo encontro da comissão está marcado para janeiro, mas as explicações pedidas por Dilma não exigem uma reunião formal do grupo para um posicionamento.

Nesta quinta-feira, reportagem do jornal Folha de S.Paulo apontou que Lupi teria acumulado por cinco anos dois cargos de assessor parlamentar em dois diferentes órgãos públicos - a Câmara dos Deputados, em Brasília, e a Câmara Municipal, no Rio de Janeiro.

Sobre a nova denúncia, Lupi disse à Dilma que irá apresentar explicações, segundo a Presidência.

Antes, o Ministério do Trabalho já havia sido alvo de denúncias de um suposto esquema de cobrança de propina de organizações não-governamentais (ONGs) conveniadas com a pasta, num esquema que serviria para abastecer o caixa do PDT.

O ministro também foi acusado de ter pegado "carona" em avião providenciado por um empresário e dirigente de ONG, que meses depois assinou convênios com o ministério. Ele também foi acusado de ter sido funcionário fantasma da Câmara por quase seis anos.

Desde junho, seis ministros deixaram o governo Dilma, cinco deles saíram em meio a denúncias de irregularidades - Antonio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes), Wagner Rossi (Agricultura), Pedro Novais (Turismo) e Orlando Silva (Esporte).

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