Dilma queria Humberto Costa, mas diz que apoiará Falcão no PT

Avisada após correntes majoritárias decidirem indicação, presidenta telefonou ontem para o deputado paulista

Ricardo Galhardo, enviado a Brasília |

Avisada ontem à tarde que o PT havia escolhido Rui Falcão para presidir a sigla até 2013 , a presidenta Dilma Rousseff telefonou para o deputado paulista para dizer que o apoiará no exercício do cargo. Dilma, assim como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva , preferia ver o senador Humberto Costa na vaga, mas viu a articulação cair por terra diante da resistência do líder petista em aceitar a função. 

“Fui informada de que você foi indicado para ser novo presidente do PT e, se você aceitar, saiba que tem todo o meu apoio”, afirmou Dilma, na conversa com Falcão, segundo relato de interlocutores.

A escolha de Falcão para o posto, antecipada ontem pelo iG , será formalizada nesta sexta-feira, durante a reunião do diretório nacional do PT, em Brasília. O encontro também servirá para sacramentar a volta do ex-tesoureiro Delúbio Soares ao PT. Pivô do mensalão, ele obteve aval de Lula para articular sua reintegração aos quadros partidários . Lula, que está em São Paulo, não participará da reunião .

A indicação de Falcão para concluir o mandato iniciado por Dutra foi feita durante uma reunião realizada por correntes majoritárias do partido, que juntas detêm 56% do diretório nacional do partido. Dutra, que deixou definitivamente o cargo para tratar uma depressão agravada por problemas neurológicos, era um dos principais escudeiros de Dilma. Falcão, por sua vez, deixou a coordenação da campanha presidencial, no ano passado, em meio à polêmica sobre seu envolvimento num suposto esquema de produção de dossiês.

A reunião que definiu a indicação de Falcão foi liderada pela corrente petista Construindo um Novo Brasil (CNB), que tem entre seus principais integrantes o ex-presidente Lula, além do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. Aliada aos grupos minoritários PT de Luta e de Massa e Novo Rumo - este último grupo integrado por Falcão -, a corrente detém o controle de mais da metade dos votos no diretório nacional petista, tornando praticamente certa a escolha definitiva de Falcão para presidir o partido.

Solução rápida

Mesmo com apoio de Dilma e Lula, Humberto Costa comunicou na noite de anteontem ao comando partidário que só aceitaria abrir mão da liderança do Senado em uma situação excepcional, em que não houvesse de fato nenhuma outra saída. Embora tenha se transformado em uma vitrine política, a presidência do PT é descrita por seus antigos ocupantes como o foco de muita pressão e desgaste .

Diante da resistência de Costa, o nome de Falcão voltou a ser cotado, até para atender à demanda colocada pelo Palácio do Planalto para que o problema da sucessão no PT fosse resolvido de forma rápida. Uma ala do partido propunha que o deputado - que é primeiro vice-presidente da sigla - continuasse ocupando interinamente o posto em uma espécie de mandato tampão. Assim, o diretório poderia se reunir novamente dentro de alguns meses para indicar um novo presidente.

O governo, entretanto, queria evitar que a interinidade prolongada acirrasse a disputa interna na legenda e considerou que o PT precisava definir rapidamente um presidente capaz de conduzir as negociações com partidos da base aliada.

    Leia tudo sobre: DilmaPTRui

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG