Dilma pode fazer ajustes nas lideranças do governo no Congresso

Na Câmara, Vaccarezza pode ser substituído por Henrique Fontana ou Paulo Teixeira. No Senado, Pimentel quer a vice-presidência

Reuters |

Apesar de comemorar um ano vitorioso no Congresso, conseguindo aprovar a maior parte das matérias consideradas prioritárias para o governo, a presidenta Dilma Rousseff estuda mudanças nas lideranças do Congresso, disseram fontes à Reuters.

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A principal mudança em análise é a do líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), que não conseguiu estabelecer uma relação de confiança com a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, no ano passado.

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O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP)
Vaccarezza, que tentou ser o candidato do PT à presidência da Câmara, trabalhou para ser nomeado ministro no lugar de Ideli, quando a presidente deslocou Luiz Sérgio para o Ministério da Pesca. Contudo, a articulação do petista não deu certo e desde então ele e Ideli tem uma relação estritamente formal.

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Uma fonte do governo, que pediu para não ter seu nome revelado, contou que no final do ano passado a troca de Vaccarezza era dada como certa no Palácio do Planalto, mas durante o mês de janeiro o assunto não foi debatido com a presidenta Dilma Rousseff.

O líder do governo funciona como o representante do governo dentro da Câmara e do Senado. É dele a responsabilidade por conduzir as negociações com os restante da base aliada afim de evitar que os projetos sejam aprovados com conteúdos contrários aos interesses do Executivo.

Nesse sentido, o petista também acumulou alguns desgastes com o Palácio do Planalto. Um exemplo disso foi a votação da reforma do Código Florestal na Câmara, quando o texto aprovado não levou em conta posições claras da presidente que tinham sido negociadas com Vaccarezza.

Ao mesmo tempo que a mudança nas lideranças prioridade no Palácio, aliados do petista dizem que não pegarão em armas para mantê-lo no cargo caso Dilma decida pela troca.

Uma fonte do PMDB, maior partido da coalizão de Dilma e que mantém boas relações com Vaccarezza, disse que se a legenda for consultada dirá que o petista é um bom articulador e ajuda o governo, mas não entrará numa campanha pela sua manutenção.

Outra fonte do PT disse à Reuters, sob condição de anonimato, que até mesmo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que levou Vaccarezza à liderança do governo na Câmara durante sua gestão, já não se moveria para impedir uma mudança imposta por Dilma.

Em conversas reservadas com aliados, Vaccarezza admite a dificuldade de relacionamento com Ideli e acredita que ela trabalha por sua substituição. O petista está fora do país e só retorna à Brasília na reabertura dos trabalhos no Congresso, em fevereiro.

Em caso de troca, um novo líder do governo na Câmara deve ser escolhido entre os deputados da bancada do PT e dois nomes circulam no Palácio do Planalto como prováveis candidatos à sucessão, segundo confirmaram duas fontes do governo.

Um seria o deputado Henrique Fontana (PT-RS), que já exerceu a função antes de Vaccarezza. O outro seria o atual líder do PT na Casa, Paulo Teixeira (PT-SP), visto como uma solução mais natural porque teria ajudado Ideli a construir acordos na Câmara quando Vaccarezza não atuava como esperado pelo Palácio do Planalto.

Outra vantagem de Teixeira é que ele tem boa relação com Marco Maia (RS), o petista que preside da Câmara, com quem Vaccarezza também não tem proximidade.

Senado

Mas não é apenas na Câmara que pode haver troca na liderança. O senador José Pimentel (PT-CE), que foi nomeado líder do governo no Congresso em setembro depois que Dilma convidou o então ocupante do cargo, deputado Mendes Ribeiro (PMDB-RS), para assumir o ministério da Agricultura, tem outras aspirações.

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É que antes de assumir o posto ele tinha firmado um acordo com a senadora Marta Suplicy (PT-SP) para sucedê-la na vice-presidência do Senado neste ano. Porém, depois que Pimentel foi nomeado líder o acerto informal pode não ser cumprido pela ex-prefeita de São Paulo .

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Marta Suplicy durante coletiva em que anunciou sua decisão de retirar pré-candidatura à Prefeitura de São Paulo, em novembro de 2011

"Ela não quer cumprir o que foi acertado. Alega que pode ter problema legal essa troca. Nós vamos tentar convencê-la", disse o líder da bancada do PT no Senado, Humberto Costa (PE).

Essa posição da senadora tem causado constrangimento na bancada, já que Pimentel exige o cumprimento do acordo. Costa não acredita que Dilma se intrometa na disputa.

Mas se Dilma nomear Marta para um ministério, possibilidade hoje remota, Pimentel poderia assumir a vice-presidência da Casa e Dilma teria que escolher um novo líder para o Congresso.

A fonte do governo afirmou que Pimentel teve uma atuação discreta na liderança do governo nesses poucos meses, tanto que o principal interlocutor do Executivo na negociação do Orçamento no Congresso foi o deputado Gilmar Machado (PT-MG), bastante experiente no tema, e não Pimentel.

Já o líder do governo no Senado, o experiente Romero Jucá (PMDB-RR), que já liderou as negociações do governo nas gestões de Fernando Henrique Cardoso e Lula, teve uma atuação menos decisiva no último ano, mas continua bem avaliado no Executivo.

Jucá sempre teve grande interlocução com os partidos de oposição -PSDB e DEM-, mas como as duas legendas saíram das urnas enfraquecidas o Executivo recorre muito pouco a acordos com elas para aprovar matérias do seu interesse na Casa.

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