Dilma escala Casa Civil para cuidar de verbas antienchente

Presidenta reage a denúncia conta o ministro Fernando Bezerra, que teria destinado 90% das verbas da chuva ao seu Estado

AE |

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Insatisfeita com a canalização de verbas federais quase que exclusivamente para Pernambuco, Estado de origem do ministro da Integração, Fernando Bezerra Coelho , a presidenta Dilma Rousseff interveio e ordenou a adoção de critérios técnicos na distribuição dos recursos do ministério para combate e prevenção de desastres naturais, como enchentes e desmoronamentos. 

Felipe Bryan Sampaio/ iG
Gleisi foi recrutada em ação para rever critérios de aplicação dos recursos
Foi este o objetivo da reunião convocada às pressas nesta quarta-feira, pela ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffman, que interrompeu a semana de férias no Paraná, a pedido da presidenta, e voltou ao Palácio do Planalto para tratar da questão com técnicos do ministério e da Defesa Civil. Reportagem publicada na véspera pelo jornal O Estado de S. Paulo mostrou que cerca de 90% da verba antienchente da Integração foram aplicados em Pernambuco, a despeito dos estragos provocados pelo verão chuvoso em outros Estados.

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Dilma conversou por telefone com Gleisi logo cedo, mostrando-se preocupada com as chuvas e com a ação do governo. Àquela altura a presidenta já havia telefonado ao governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), onde 52 municípios estão em situação de emergência

O telefonema da presidenta ao governador tucano não foi o único sinal da disposição do Planalto de impor limites à prática já tradicional da distribuição paroquial das verbas antienchente, em que ministros privilegiam sua base eleitoral em busca de voto, ignorando o conjunto do País. No governo Lula, foi o ministro baiano Geddel Vieira Lima (PMDB) quem concentrou na Bahia a grande maioria das obras e investimentos da Integração. 

Como chefe da Casa Civil, Gleisi foi escalada para fazer a mediação técnica com o ministério neste ano de eleição municipal. A presidenta preferiu deixar tudo nas mãos de sua ministra. Não se deu ao trabalho de procurar sequer Bezerra para questioná-lo sobre as ações da defesa civil ou sobre suas escolhas de investimentos. O ministro permanece de férias, em Pernambuco. 

Antes de embarcar para Brasília, Gleisi tomou duas providências: Encarregou seu secretário-executivo Beto Vasconcellos de organizar a reunião com técnicos da Integração, Defesa Civil e Ciência e Tecnologia. Em seguida, telefonou ao governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), para saber como estava a situação no Estado que sempre figura no topo da lista dos mais atingidos pelas tempestades de verão. 

Até expoentes do PT pernambucano, partido aliado, avaliam que o ministro exagerou na politização do uso das verbas antienchente. Hoje, não faltou quem criticasse o "provincianismo e o clientelismo" de Bezerra, que dias antes surpreendera o prefeito petista do Recife, João da Costa, com a transferência de seu domicílio eleitoral de Petrolina para a capital pernambucana. Para o PT local, Bezerra tem pretensões de disputar a prefeitura. 

Ligado ao governador pernambucano Eduardo Campos, que preside o PSB nacional, o ministro Fernando Bezerra aplicou em seu Estado R$ 25,5 milhões do total de R$28,4 milhões pagos em obras autorizadas em 2011 para prevenção de desastres naturais. Deixou apenas R$ 2,9 milhões para o restante do Brasil. Para agravar ainda mais a situação, um petista de Pernambuco destaca que é o sol que castiga o solo local. "Nossa emergência agora não é a água; é o início da seca", diz um dirigente petista local. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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