Dilma evitará temas polêmicos em reunião do Conselho Político

No encontro marcado para quinta-feira, presidenta detalhará avanços nos primeiros meses de governo e relatará conversas com Obama

Fred Raposo e Adriano Ceolin, iG Brasília |

Na primeira reunião com o Conselho Político – que inclui líderes congressistas e presidentes de partidos da base –, na quinta-feira, a presidenta Dilma Rousseff evitará tensionamentos ao tratar de temas como o corte de emendas parlamentares e a distribuição de cargos do segundo escalão.

O iG apurou que a presidenta se preparou para lidar com a agenda dos congressistas, caso o assunto seja abordado. Mas o objetivo de Dilma, neste contato inicial, é detalhar as medidas tomadas pelo governo federal nos três primeiros meses da administração. Ela também relatará as conversas que teve com o presidente norte-americano, Barack Obama.

A insatisfação entre os parlamentares foi provocada pelo ajuste fiscal anunciado pelo Planalto, com contingenciamento de mais de R$ 50 bilhões do Orçamento, que resultou no corte de emendas parlamentares. Outro ponto de divergência é a briga que os partidos da base travam nos bastidores pelas nomeações de Dilma para o segundo e o terceiro escalão do governo.

A convocação do Conselho – que funcionou durante o governo Lula – pela presidenta foi confirmada pelo líder do governo, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP). Acontecerá às 15h, no Palácio do Planalto. O petista afirma não ter sido comunicado por Dilma sobre a pauta, mas reforça que o encontro “deve tratar de coisas grandes”.

“Pode até tratar de cortes, mas o foco deve ser mais o combate à inflação, a preparação para maiores investimento na área social e a preparação para a Copa e para as Olimpíadas”, sublinha Vaccarezza.
Representantes de legendas aliadas ouvidos pela reportagem afirmam que os temas considerados espinhosos devem ser discutidos no encontro, mas que o momento não é de cobrança de nenhuma das partes.

“Vamos ouvi-la”, ressalta o líder do PR, Lincoln Portela (MG). “No decorrer da reunião temos na cabeça o que é importante tratar, como a visita do presidente Barack Obama, as reformas no Congresso, o reajuste fiscal. Mas o interessante no relacionamento com a presidente é que não há cobrança, está fluindo naturalmente. Vamos com coração leve”.

PDT é convidado

O líder do PSC, Ratinho Junior (PR), afirma que um dos desafios do Conselho é desatar o nó da reforma política, que ainda divide a base. “Na última reunião de líderes falou-se bastante sobre como dar andamento e aprová-la o mais rápido possível”, assinala. “O assunto é complexo, em que cada partido tem um pensamento sobre o que é melhor para o país”.

O PDT, que não foi convidado para o último encontro de Dilma com os líderes da base, após a aprovação do salário mínimo de R$ 545, será convocado para participar do Conselho, de acordo com Vaccarezza.
O deputado Giovanni Queiroz (PA), líder do PDT, diz que sua ausência na reunião tinha como objetivo “evitar constrangimentos”, uma vez que o partido contrariou o governo e votou pela aprovação do mínimo de R$ 560.

Ele destaca que “não há possibilidade” de a sigla ficar de fora das reuniões com Dilma. Mas afirma que continuará a votar de acordo com os interesses do partido, e não do governo. “O partido se sente muito à vontade para votar com o governo, desde que sejam em temas que não contrariem os princípios do PDT”.

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