Dilma evita assunto Palocci e investe em agenda positiva no Rio

Em meio à crise política envolvendo o ministro, presidenta manteve discurso positivo e anunciou programa para Região Serrana fluminense

Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro |

Em meio à crise política envolvendo o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, a presidenta Dilma Rousseff esteve nesta sexta-feira (3) no Rio de Janeiro para anunciar o início do programa de obras para recuperação da Região Serrana fluminense após as chuvas de janeiro deste ano. Durante a cerimônia, Dilma fez um breve discurso, por cerca de 15 minutos, e não abordou a multiplicação do patrimônio de Palocci por 20 nos últimos anos.

Após o anúncio do programa, Dilma saiu sem dar entrevistas. A cerimônia, realizada no auditório do prédio anexo do Palácio Guanabara, sede do governo estadual do Rio, foi acompanhada pela imprensa em uma sala vizinha através de um telão. Nesta sexta-feira, há a previsão de que Palocci dê uma entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, para prestar esclarecimentos sobre seu patrimônio.

AE
Dilma tem dado sinais de que Palocci já perdeu qualquer tipo de tratamento privilegiado
Região Serrana

O conjunto de obras do programa de recuperação da Região Serrana do Estado do Rio está avaliado em R$ 678 milhões. Essa quantia virá dos cofres da União (R$ 360 milhões), do Estado (R$ 278 milhões) e da doação de empresários (R$ 40 milhões).

No total, serão construídas 6.840 unidades habitacionais para os moradores que perderam suas casas ou moram em áreas de risco nos municípios de Nova Friburgo, Petrópolis, Teresópolis, São José do Vale do Rio Preto, Sumidouro, Bom Jardim e Areal. As obras de construção vão ter início em outubro deste ano e todas as unidades serão entregues até dezembro de 2012.

Em seu discurso, a presidenta Dilma responsabilizou a burocracia pela demora nas obras de reconstrução da Região Serrana fluminense, após a tragédia natural que deixou mais de 900 pessoas mortas. “As pessoas acham que quando uma obra demora para começar é porque ninguém fez nada. Quando elas começarem, nós já vamos ter subido e descido duas vezes o Everest da burocracia”, alfinetou.

O programa voltado para os sete municípios serranos do Rio contarão ainda com obras de contenção de 37 encostas, reconstrução de 69 pontes e construção de 163 unidades comerciais. “A primeira etapa deste projeto foi resgatar as pessoas. Essa segunda etapa alerta para uma coisa: não podemos permitir que as pessoas fiquem em áreas de risco. Se não for assim, não há prevenção ou contenção que evite o desastre”, avaliou.

Habitação

Na cerimônia no Rio, Dilma ainda prometeu lançar neste mês o programa Minha Casa, Minha Vida 2. A primeira versão do programa, criado no governo Lula, construiu 1 milhão de novas moradias. Para a segunda etapa, a presidenta anunciou a construção de 2 milhões de novas unidades habitacionais até dezembro de 2014, sendo 1 milhão e 200 mil para pessoas com renda de zero a três salários mínimos.
“O programa vai ter várias alterações e melhorias. Isso faz parte do aprendizado. Na segunda etapa você melhora”, disse, sem especificar quais serão as mudanças.

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