Dilma enfrenta crise com Exército ao nomear Amorim, diz 'El País'

Texto de jornal espanhol assinado por correspondente do Rio diz que presidenta saiu de uma crise para entrar em outra

BBC Brasil |

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Um artigo publicado na edição deste sábado no jornal espanhol El País afirma que a presidente Dilma Rousseff enfrenta uma crise com as Forças Armadas brasileiras depois da nomeação de Celso Amorim para o lugar de Nelson Jobim, no ministério da Defesa. Na quinta-feira, Dilma aceitou o pedido de demissão de Jobim, que havia criticado duas ministras do governo em entrevista à revista Piauí.

O texto, assinado pelo correspondente do jornal espanhol no Rio de Janeiro, afirma que Dilma "sai de uma crise para entrar em outra". "E nem sequer é a oposição que a coloca em apuros, os problemas surgem das suas próprias fileiras", diz a reportagem, que cita também as demissões nos ministérios dos Transportes, devido a um escândalo de corrupção.

'Saída traumática'

O jornal diz que Jobim foi "o primeiro ministro de Defesa da democracia que não teve problemas com a cúpula militar", e ainda afirma que o ex-ministro é um homem "prestigiado e de indiscutível capacidade profissional". "Se trata de uma saída traumática, não só pela bela gestão de Jobim, mas também porque a nomeação do seu substituto provocou um grande mal-estar nas Forças Armadas", diz o El País.

O jornal afirma que Celso Amorim é alinhado com "a ala mais esquerdista do Partido dos Trabalhadores" e é conhecido pelo seu "antiamericanismo declarado e por sua política exterior de aproximação com personagens autoritários, como o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ou [o venezuelano] Hugo Chávez e [o cubano] Fidel Castro."

No entanto, o jornal ressalta que alguns analistas acreditam que a indicação de Amorim pode ajudar o Brasil nas ambições por uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU. A demissão de Jobim ganhou uma pequena nota no jornal francês Le Monde, intitulada "Demitido o ministro de defesa apoiador do avião francês Rafale".

Jobim havia manifestado preferência por aviões Rafale, da empresa francesa Dassault, em um processo de compra de caças para a Força Aérea Brasileira (FAB). Também participam do processo as fabricantes Saab, da Suécia, e Boeing, dos Estados Unidos.

Nelson Jobim demitiu-se após a publicação esta semana de uma entrevista na revista Piauí, onde o ex-ministro criticou as colegas de governo Ideli Salvatti, das Relações Institucionais, e Gleisi Hoffmann, da Casa Civil. À revista, Jobim disse que Salvatti era "fraquinha" e que Hoffmann "nem sequer conhece Brasília".

Ele também revelou uma discussão com a presidente sobre a indicação de José Genoino para um cargo no ministério da Defesa. Dilma teria questionado a utilidade de Genoino, ao que Jobim diz ter respondido: "Presidente, quem sabe se ele pode ser útil ou não sou eu". Em entrevista no mês passado, Jobim havia revelado que votou em José Serra, rival de Dilma, nas últimas eleições presidenciais.

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