Dilma e Serra repetem gestos e ritos na Agrishow

Os dois pré-candidatos mais bem posicionados nas pesquisas cumpriram, pela primeira vez, agendas semelhantes no mesmo local

Marcelo Diego, enviado a Ribeirão Preto (SP) |

Pela primeira vez desde o início da pré-campanha os dois nomes mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de votos cumpriram agenda semelhante, no mesmo local, no mesmo dia. Não só o local era o mesmo, mas os gestos, as conversas e os ritos se repetiram.

O palco era a Agrishow, principal feira do setor agropecuário no País, realizada em Ribeirão Preto (SP).

Dilma chegou às 11h47 e foi recepcionada por uma claque do PMDB. Demorou 23 minutos para percorrer a distância até o estande dos organizadores da feira, onde teve um rápido encontro com os representantes do agronegócio. Combinou um jantar na segunda quinzena de maio, provavelmente em Brasília, para conhecer as demandas dos produtores rurais e melhorar a interlocução com o setor.

Logo depois ela fez um pronunciamento, em um púlpito armado pela organização, onde falou sobre temas caros ao agronegócio: política de crédito, taxa de juros, movimentos sociais, reforma tributária, inserção internacional. Atendeu à imprensa e deu uma nova volta pela feira.

No contato com os eleitores, usou várias vezes expressões populares, como “uai” (típica de Minas Gerais) e “ocê”. Também não se negou a nenhum pedido de foto ou de beijos. Agradeceu a Marluce dos Reis de Oliveira, de Uberlândia, que disse ter orado pela recuperação da ex-ministra, que se submeteu a um tratamento contra o câncer no ano passado. Subiu em um trator da multinacional New Holland. Ouviu do senador Aloizio Mercadante, pré-candidato do PT ao governo do Estado, um pedido para “tratorar” os adversários. E de um visitante o conselho para trocar de aparelho, pois o que ela estava era amarelo e azul, as cores tradicionais do PSDB.

Dilma atrasou em quase uma hora sua visita, mesmo período de atraso do pré-candidato José Serra. Ele chegou à Agrishow às 16h15 e demorou 40 minutos para chegar ao mesmo estande dos organizadores. No caminho, o autodenominado cabo eleitoral Osmar Leão pedia aplausos e votos para Serra e para Geraldo Alckmin, pré-candidato ao governo pelo lado tucano.

Como Dilma, Serra posou para fotos, conversou com visitantes, perguntou o preço para vendedores de água de coco e sorvetes, entrou no estande de plataformas articuladas da Marchesan. Também fez um pronunciamento focado em soluções para o agronegócio. Ao atender a jornalistas, se negou a responder a uma das questões, por entender que ela era enviesada politicamente. O jornalista pedia a opinião dele sobre o aumento da taxa de juros e no que o cenário atual diferia das justificativas dadas pela administração de Fernando Henrique Cardoso.

Quando os presidenciáveis foram embora, ao final do dia, pela primeira vez desde segunda-feira, quando a Agrishow foi aberta, uma forte chuva caiu sobre Ribeirão Preto.

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