Segundo ex-ministros, presidenta avisou que vai barrar trechos como anistia a desmatadores

Um grupo de ex-ministros do Meio Ambiente decidiu dar continuidade nesta terça-feira à campanha iniciada ontem contra a votação do novo Código Florestal na Câmara dos Deputados. Nomes como Marina Silva (PV-AC), Carlos Minc e Rubens Ricupero fizeram um novo apelo à presidenta, Dilma Rousseff , para que o tema fosse retirado da pauta, mas não conseguiram convencê-la a trabalhar por novas alterações antes de o texto para o plenário.

"Já houve vários adiamentos e cada vez está ficando mais complicado", afirmou a presidenta, de acordo com relato dos ex-ministros. Dilma avisou, no entanto, que vai de fato vetar pontos que considera inaceitáveis no texto. Na lista, segundo os ex-ministros, está o artigo que dá poder aos Estados e municípios para executar política ambiental, o que consolida qualquer pecuária ou cultura nas áreas de proteção ambiental às margens dos rios e o que permite a anistia aos desmatadores.

"Ela disse que não aceita nem que haja alguma possibilidade de anistia, ainda que de forma infiltrada no texto e, se isso acontecer, ela avisou que vetaria até a lei inteira", acrescentou Ricupero. Dilma disse acreditar que o aumento do desmatamento nos últimos meses "tem a ver com a possibilidade da impunidade", segundo Minc. De acordo com ele, a presidenta afirmou ainda que "tem a sensação" de que a discussão em relação à nova legislação ambiental "favoreceu o aumento do desmatamento".

Grupo composto por oito ex-ministros fizeram mais um apelo a Dilma, mas não a convenceram a trabalhar por novo adiamento
AE
Grupo composto por oito ex-ministros fizeram mais um apelo a Dilma, mas não a convenceram a trabalhar por novo adiamento
Dilma ficou reunida por quase uma hora com oito ex-ministros. Enquanto isso, o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, coordenava outra reunião no Planalto com outros ministros e líderes do Congresso.

Um apelo semelhante já havia sido feito ontem pelos ex-ministros aos presidentes do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e da Câmara, Marco Maia (PT-RS). Mas o relator do Código Florestal, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), afirmou que não há razão para adiar a votação, nem fazer eventuais mudanças na proposta. Segundo Aldo, quaisquer modificações só devem ser discutidas no Senado.

*Com informações da Agência Estado e da Agência Brasil

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