Dilma deve intensificar busca por mulheres para formar ministério

Presidenta eleita deve buscar opções fora de seu grupo, já que este núcleo é insuficiente para preencher as vagas que deseja abrir

Adriano Ceolin, iG Brasília |

A presidenta eleita Dilma Rousseff está à procura de mulheres para compor seu ministério. Dilma manifestou desde a época da campanha sua vontade de ampliar a participação de representantes do sexo feminino no governo. Ela possui algumas mulheres em seu entorno mais próximo, mas esse núcleo ainda é pequeno para assegurar uma fatia relevante da Esplanada dos Ministérios.

AFP
A presidenta eleita do Brasil, Dilma Rousseff, ao votar no segundo turno, com paletó estilo japonês e jeans
Até agora, apenas os partidos de esquerda apresentaram sugestões que se encaixam no requisito. Outras siglas governistas, como o PMDB, o PDT e o PR, ainda não indicaram mulheres para preencher parte das vagas na Esplanada.

À frente de todas as alternativas colocadas até o momento, está Maria da Graças Foster, atual diretora de Gás e Energia da Petrobras. Ela pode ocupar tanto a Casa Civil como a presidência da empresa nacional de petróleo.

Atual subchefe de Articulação e Monitoramento da Casa Civil, Miriam Belchior é outro nome. Após a tumultuada saída da ex-ministra Erenice Guerra da Casa Civil no meio da campanha eleitoral, Miriam chegou ser cotada para assumir o cargo. Ligada ao PT paulista, ela goza ainda da confiança do presidente Lula. É uma das gestoras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e tem chances de ser alocada também na pasta das Cidades.

O PC do B já indicou a deputada Manuela D'Avila para ocupar uma nova pasta voltada para a juventude ou até mesmo o ministério da Cultura. O presidente do PC do B, Renato Rabelo, esteve nesta terça-feira com o presidente do PT, José Eduardo Dutra, para discutir o assunto.

A deputada Maria do Rosário (PT-RS) também tem chances de ocupar uma vaga no ministério. Ligada ao Movimento PT, ala do partido de Dilma, ela é vista como uma opção para acalmar demandas internas da legenda. Por enquanto, é cotada para substituir Paulo Vannuchi na Secretaria de Direitos Humanos

Dilma já manifestou publicamente a vontade de dar mais espaço a mulheres no governo. Na semana passada, Dutra reforçou: "Ela vai mesmo governar com muitas mulheres". O entendimento da equipe de transição é o de que a proporção feminina na administração federal vai de fato aumentar, embora ainda seja cedo para quantificar.

Lula diminuiu participação

No governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entretanto, a proporção de mulheres na Esplanada dos Ministérios foi reduzida. Em 2003, quando tomou posse, o presidente nomeou cinco ministras: Dilma Rousseff (Minas e Energia), Marina Silva (Meio Ambiente), Emília Fernandes (Secretaria Especial das Mulheres), Matilde Ribeiro (Secretaria da Igualdade Racial) e Benedita da Silva (da extinta pasta da Ação Social).

Logo na primeira mudança ministério, Benedita perdeu seu posto que acabou fundido com o ministério de Combate à Fome. Juntas, as duas pastas transformaram-se no ministério do Desenvolvimento Social, que acabou nas mãos de Patrus Ananias. Atualmente, a pasta está sob o comando da Márcia Lopes, que tem chances de ser mantida por Dilma.

Na Secretaria das Mulheres, Emília cedeu seu lugar para Nilcéa Freire ainda no primeiro mandato de Lula. Em 2004, após perder a eleição para a Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy virou ministra do Turismo. Em 2008, a hoje senadora eleita por São Paulo deixou o cargo para tentar voltar a prefeitura paulistana e, derrotada, não retornou ao governo. Também em 2008, Matilde Ribeiro saiu do cargo após ver seu nome envolvido no escândalo dos cartões corporativos.

Atualmente, o governo Lula tem três ministras. Além de Nilcéa Freire e Márcia Lopes, Izabela Teixeira (Meio Ambiente), que ocupou a vaga de Carlos Minc (PT), reeleito deputado estadual no Rio de Janeiro.

Evolução

Agência Estado
Zélia teve poder no governo Collor, mas perdeu o posto após um ano
A primeira mulher a ocupar um posto em ministério foi Maria Esther Figueiredo Ferraz, que assumiu a pasta da Educação em 1982, na gestão do último presidente da ditadura militar, o general João Figueiredo (1979-1985). No governo José Sarney (1985-1990), Dorothea Werneck mereceu destaque como ministra do Trabalho. No primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso (1995-1998), voltou ao governo como ministra de Indústria e Comércio.

No governo Itamar Franco (1992-1994), duas mulheres ocuparam cargos: Yeda Crusius foi ministra do Planejamento e Luiza Erundina ocupou a pasta do Trabalho. Até então filiada ao PT, ela teve de deixar o partido para ocupar o cargo.

O presidente Fernando Collor de Mello (1990-1992) escalou uma mulher para resolver o problema da inflação mas não deu certo: Zélia Cardoso de Mello teve amplos poderes, mas acabou demitida um ano após ser nomeada.

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