Dilma defende 'piso de proteção social' em resposta à crise

Em encontro com Michelle Bachelet, presidenta sugeriu que países afetados pela recessão adotem programas como o Bolsa Família

Valor Online |

A presidenta Dilma Rousseff afirmou nesta quinta-feira que a crise financeira mundial evidencia a necessidade de um "piso de proteção social" em todos os países. A afirmação foi feita em encontro com a ex-presidenta do Chile Michelle Bachelet , atual secretária-geral-adjunta das Nações Unidas e diretora-executiva da ONU Mulheres.

Saiba mais: Dilma tem encontro com Michelle Bachelet em Brasília

Bachelet entregou à presidenta o relatório "Piso de Proteção Social para uma Globalização Equitativa e Inclusiva". A proposta é que todos os cidadãos tenham acesso a serviços básicos (saúde, educação, saneamento) e garantia de direitos sociais como aposentadoria e inclusão produtiva. Além disso, o piso prevê que as pessoas devem ter um mínimo de renda para sobrevivência. Para garantir este direito, o relatório aponta que os países podem se valer de programas de transferência de renda, a exemplo do Bolsa Família.

Roberto Stuckert Filho/PR
Dilma reuniu-se nesta quinta com a ex-presidente do Chile, atual diretora da ONU Mulheres

"O desemprego e a perspectiva de retrocesso nas políticas sociais e no Estado de bem-estar, que ocorrem nos países desenvolvidos, colocam no centro do dia essa questão do piso mínimo de proteção social", afirmou Dilma. A presidenta ressaltou que nos países da zona do euro se evidenciam "processos de desemprego dramáticos" que "levam necessariamente a processos de perda de qualidade de vida e de condições de sobrevivência".

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Dilma disse ainda que os governos devem romper com a "dissonância entre a voz do mercado e a voz das ruas", buscando propostas que levem igualmente à solução da crise e que garanta "que as pessoas não sofram toda a magnitude dela".

Michelle Bachelet ressaltou que o estabelecimento de um piso de proteção social "não se trata somente de uma questão de respeito aos direitos humanos, mas também uma necessidade econômica". "A persistência deste grande número de pessoas excluídas representa um enorme desperdício deste potencial humano e econômico", completou.

A diretora-executiva da ONU Mulheres afirmou que a proposta não é uma "receita universal" e deve ser adaptada à realidade de cada país. "Trata-se de um enfoque político adaptável, que deve se ajustar ao país de acordo com as necessidades, prioridades e recursos nacionais", declarou. Os programas Bolsa Família e Brasil Sem Miséria foram elogiados por Bachelet. Além disso, ela ressaltou a defesa de um piso de proteção social feito por Dilma Rousseff na abertura da Assembleia-Geral da ONU, em setembro, em Nova York.

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