Sem referências às especulações sobre nomes do novo governo, presidenta eleita discute "herança bendita" com novo fórum permanente

Em meio a especulações sobre os possíveis nomes a serem escalados para integrar o novo governo, a equipe de transição teve nesta quinta-feira a primeira reunião temática sobre a erradicação da pobreza no País. No encontro, a presidente eleita, Dilma Rousseff, disse que será um desafio avançar sobre os méritos alcançados pelo atual governo, uma vez que "heranças benditas têm sempre um grande peso".

Após a reunião, a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Márcia Lopes, comparou o comprometimento da nova administração com o tema ao do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quando foi eleito, em 2002, e anunciou a criação do Programa Fome Zero. À época, Lula destacava a importância do projeto enquanto também era bombardeado com rumores e questionamentos a respeito de quem integraria sua equipe.

A ministra falou sobre a meta de inclusão de aproximadamente 750 mil famílias no Bolsa Família. Atualmente, essas pessoas não são beneficiadas pelo programa de transferência de renda por não terem filhos. Ela garantiu, sem citar números, que será feito o reajuste do benefício e que, no aniversário do Bolsa Família, em dezembro, será apresentado um novo mapeamento de comunidades pobres, populações de rua, indígenas e quilombolas.

Avaliação de especialistas
Também presente ao encontro, o diretor do Diretor de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas, Marcelo Neri, afirmou que "tudo o que foi conversado é possível", e ressaltou a importância de programas voltados para crianças pobres. O economista - que também fez a analogia com o primeiro discurso da vitória de Lula - citou ainda dados da FGV segundo os quais seriam necessários R$ 21 bilhões anuais para erradicar a pobreza no Brasil.

O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, por sua vez, destacou o "consenso de que estamos no rumo certo" em relação a sistemas de identificação da pobreza e transferência de renda. Para ele, os próximos passos são sofisticar e dar mais aderência às ações, bem como estabelecer uma "linha de pobreza operacional" que permita a avaliação da questão. Já o pesquisador Ricardo Paes de Barros, também do Ipea, afirmou que a "política de erradicação da pobreza terá que ser variada e composta por uma ampla constelação de programas", cujo desafio será a coordenação de propostas.

Também compareceram à reunião no Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília o vice-presidente eleito, Michel Temer, e os coordenadores de transição Antônio Palocci, José Eduardo Cardozo e José Eduardo Dutra, que deixaram o local sem falar com a imprensa, além da a coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Miriam Belchior, e representantes da OIT (Organização Internacional do Trabalho) e da FAO (órgão das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação).

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