Dilma alfineta Serra e diz que ponte não cai do céu

Ex-ministra foi confrontada com a afirmação do tucano de que construiria a ponte sobre o Rio Guaíba no dia seguinte à posse

iG São Paulo |

A pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, alfinetou seu concorrente José Serra (PSDB) hoje em entrevista concedida na sede do Grupo RBS, em Porto Alegre. Ao ser confrontada com a afirmação do ex-governador de que construiria a ponte sobre o Rio Guaíba no dia seguinte à posse, a ex-ministra declarou que isso só seria possível se o tucano usasse o projeto do atual governo. "Só tem um jeito de fazer a ponte no dia seguinte, usar o nosso projeto e estudo de viabilidade técnica que, eu garanto, é de qualidade. Uma ponte não cai do céu." 

Dilma explicou que o projeto tem de ser aperfeiçoado e que ainda é preciso discutir o traçado da ponte. Segundo ela, o edital para a concorrência do estudo do traçado foi publicado em 12 de dezembro passado. 

Em outro momento da entrevista, quando questionada se sentia constrangida em andar ao lado de figuras controversas como os senadores José Sarney (PMDB-AP) e Fernando Collor de Mello (PTB-AL), Dilma afirmou que as alianças políticas são inevitáveis. "O Brasil vai precisar de coalizão para ser governado, quem quer que ganhe. Mas essa coalizão tem que se dar em torno de um objetivo programático. No nosso caso, esse objetivo é crescer com distribuição de renda", afirmou. A pré-candidata declarou que não vê problema em formar as alianças. "Não me constranjo nem um pouco." 

A ex-ministra ainda disse ser necessária uma reforma tributária que acabe com a tributação sobre a folha salarial e faça com que os créditos sejam "imediatamente devolvidos". Segundo ela, a legislação da área "é uma verdadeira confusão". 

Política externa

Em política externa, Dilma voltou a defender a não interferência do Brasil nas questões de soberania nacional e o diálogo com nações como Irã e Venezuela. "Não adotamos necessariamente os pontos de vista desses países, mas precisamos abrir a discussão. A posição do Brasil é a de que não é bom isolar uma nação". A pré-candidata preferiu não responder se tem simpatia pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez. "É inadequado me manifestar sobre isso."

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