Dilma afirma que corte não afeta investimento no Nordeste

Como parte da estratégia de crescimento da região, ela anunciou criação de um ministério para buscar investimentos privados locais

Renata Baptista, enviada especial a Aracaju |

A presidenta Dilma Rousseff afirmou que o corte de R$ 50 bilhões no Orçamento anunciado pelo governo não vai ter impacto nos investimentos na região Nordeste. Segundo ela, a ação faz parte de um plano de consolidação fiscal e é diferente do ocorrido em 2003, quando a taxa de inflação estava fora de controle e o País não possuía US$ 300 bilhões em reservas internacionais, como tem hoje.

"Nós estamos dentro da margem estabelecida de dois pontos acima dos 4,5% da meta ( de inflação )", disse a presidenta na abertura da 12ª edição do Fórum dos Governadores Nordestinos, realizado nesta segunda-feira, em Barra dos Coqueirais (SE). Para a presidenta, a inflação está sob controle.

Ainda de acordo com Dilma, o Nordeste será o grande desafio de sua gestão, assim como foi para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva . "O povo do Nordeste soube me dar um apoio e assumir um compromisso ao me dar uma das votações mais expressivas que um presidente já teve na região". Dilma recebeu, no segundo turno das eleições, 18,4 milhões de votos no Nordeste, mais que o dobro de seu principal adversário na corrida presidencial de 2010, José Serra .

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A presidente Dilma Rousseff durante o 12º Fórum dos Governadores do Nordeste

A presidenta destacou a continuidade de investimento na região no valor de R$ 120,4 bilhões, sobretudo em projetos de combate à seca, o programa habitacional "Minha Casa, Minha Vida", o apoio às quatro capitais que serão sedes na Copa de 2014 e o PAC de Mobilidade Urbana.

Para o Nordeste, ela definiu como meta prioritária manter o crescimento em um ritmo mais acelerado que no restante do País: "Sabemos que houve crescimento do Nordeste nos últimos anos acima do crescimento da taxa do PIB, principalmente porque nós criamos um mercado interno pujante".

De acordo com a presidenta, o sistema financeiro vai estar atento a novos projetos, uma vez que o PSI (Programa de Sustentação do Investimento) foi prorrogado.

"É importante perceber que nós só conseguiremos diminuir a desigualdade regional se aqui nós fizermos sempre um pouco mais do que é feito no resto do Brasil. E é esse o grande desafio que nós temos pela frente. Nós temos que fazer um pouco mais aqui, porque aqui há uma trajetória de desigualdade que vem da oligarquia, vem da escravidão, vem de vários fatores. Mas, sobretudo no período capitalista, vem do desenvolvimento bastante assimétrico no Brasil."

Dilma também ressaltou que a política de guerra fiscal, que segundo ela alavancou a vinda de empresas ao Nordeste, não é a mais benéfica para a região e confirmou a criação do Ministério das Pequenas e Médias Empresas, anunciado durante a época eleitoral, que vai ajudar na busca de investimento privado para a região.

Semi-árido

Para a presidenta, uma das metas mais importantes de seu governo é a erradicação da pobreza no País, o que só pode acontecer se a miséria no Nordeste, sobretudo no semi-árido, for combatida. Ela destacou que o semi-árido do País não está apenas no Nordeste, como também no Vale do Jequitinhonha e parte do Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

Dilma destacou que há um projeto em formatação na área que deve ser divulgado até o segundo trimestre, além de outro para garantir a segurança hídrica da população de todo País.

"Nós iremos dar muita importância à questão das cisternas e o acesso humano e individualizado, por família, à água, assim como fizemos com o Luz para Todos. Pretendemos ter um projeto que define muito claramente a universalização da água na região", disse Dilma.

Ciúmes

Após destacar em seu discurso de abertura que esperava que os estados nordestinos que não serão sede da Copa em 2014 no Nordeste não sejam esquecidos nos investimentos do governo federal, o governador de Sergipe, Marcelo Déda, precisou declarar, na coletiva de imprensa de encerramento do evento, que não se trata de um caso de ciúmes.

"Somos solidários aos estados que foram escolhidos para sediar a Copa. Não há ciumeira. Nossa preocupação é que o processo de preparação necessário para sediar a Copa não seja motivo para que os demais estados sejam esquecidos", disse Déda.

Em seu discurso, Dilma afirmou que as quatro cidades sedes da Copa no Nordeste _Salvador, Fortaleza, Recife e Natal_ receberão investimento de R$ 5,6 bilhões.

O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), afirmou ainda que não há motivo para ciúmes uma vez que o dinheiro não é dado, e sim financiado por linha de crédito aberta pelo governo federal, o que ainda gera endividamento dos estados.

Carta

O fórum dos governadores reuniu nesta segunda-feira em um resort na Barra dos Coqueirais (SE), além dos nove governantes da região Nordeste, o governador de Minas Gerais, Antônio Anastasia (PSDB). A governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), enviou o vice Washington Luís para representá-la, já que está se recuperando de uma cirurgia.

Ao final do encontro, os governadores lançaram a Carta de Barra dos Coqueiros, onde elencaram 11 pontos considerados questões de forma prioritária e urgente. Dentre eles, estão: a manutenção e aceleração de investimentos na infraestrutura de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos do Nordeste, implantação de novas modalidades de financiamento da infraestrutura, construção de uma política nacional de segurança e enfrentamento da questão do sub-financiamento da saúde pública, entre outros.

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