Dilma afaga FHC e diz que 'faxina é contra a miséria'

Depois de perder o quarto ministro em oito meses de governo, presidenta assina pacto de combate à miséria em São Paulo

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

Um dia depois de perder o quarto ministro em oito meses de governo , a presidenta Dilma Rousseff viajou para São Paulo para assinar um pacto de combate à miséria com governadores da região Sudeste do País. Após ser recepcionada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, Dilma afirmou que o Brasil precisa de "faxina contra miséria".

"É o Brasil inteiro fazendo, de fato, como usa a imprensa, a verdadeira faxina que esse País tem de fazer: a faxina contra a miséria", disse a presidenta. Assista ao vídeo com o discurso da presidenta .

AE
Ex-presidente FHC beija Dilma no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo

Ao longo de todo o evento, Dilma e FHC, que se sentaram lado a lado, conversaram ao pé do ouvido. Segundo o iG apurou, o ex-presidente pediu para participar do evento. FHC ficaria na plateia, mas foi convidado por Dilma para compor a mesa. Após o ato, em almoço oferecido pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin , o ex-presidente tucano voltou a ter lugar cativo ao lado da presidenta. Os dois conversaram durante todo o almoço. A troca de afagos ocorre no momento em que ela enfrenta dificuldades com a base aliada.

A ausência do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, foi sentida por políticos presentes na assinatura do pacto. Nesta manhã, o prefeito esteve em Brasília com a presidenta para um café da manhã com líderes do novo partido PSD . "A presidenta conseguiu, com Alckmin, uma parceria que não conseguiu com Kassab, que por sinal não está aqui, nem com Serra ( ex-governador de São Paulo José Serra )", disse a senadora Marta Suplicy (PT-SP), ex-prefeita de São Paulo e cotada para disputar o cargo novamente em 2012.

Em seus discursos, Dilma, Alckmin e os demais governadores trocaram elogios. A presidenta classificou o ato como um "pacto republicano e multipartidário". Alckmin destacou o simbolismo político do evento, que classificou como um marco. "Identifico aqui um momento em que a política, tantas vezes aviltada, cumpre sua função. Identifico aqui um marco. Ultrapassamos o momento de disputa para unir esforços", disse. O governador paulista também falou sobre a generosidade, patriotismo e do espírito conciliador de Dilma.

Os discursos foram interpretados como uma indireta para Serra, que se recusava a assinar convênios para implantação do Bolsa Família na cidade de São Paulo quando prefeito.

FHC x Lula

Em um momento de "saia justa", Alckmin creditou a Fernando Henrique Cardoso a paternidade dos programas sociais que hoje fazem parte do Brasil Sem Miséria, como o Bolsa Escola, o Bolsa Alimentação e o auxílio-gás. E disse que foi a estabilidade econômica conseguida nos anos 90 que possibilitou que o governo se organizasse para tirar tanta gente da miséria.

O governador ressaltou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu unificar os programas do tucano. "A inteligente medida provisória do governo Lula deu unicidade e notável expansão ( para esses programas )", disse. O ex-presidente participa hoje de uma série de compromissos em Minas Gerai s.

Dilma, em seu discurso, agradeceu a presença de FHC, mas fez questão de dar o crédito para o ex-presidente Lula por ter levado "uma argentina" da pobreza para a classe média. "Essa é a herança bendita que o presidente Lula me legou".

Roberto Stuckert Filho/PR
Em São Paulo, Dilma se encontra com governadores da região Sudeste do País

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