Dicas para deputados novatos incluem até 'não furar fila'

Veterano, Miro Teixeira afirma que estreantes na Câmara como Tiririca e Popó devem ter cuidado com apartes inadequados

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

É como um encontro entre bixos e veteranos – com a diferença de que, para não jubilar, é necessário reciclar os votos a cada quatro anos. A partir de hoje, os 61 novatos que passam a integrar a fileira da Câmara dos Deputados vão conviver com veteranos que, ao fim de seus mandatos, até 2015, completarão mais de 40 anos de Casa.

Agência Estado
Miro, ao ser diplomado para exercer seu décimo mandato parlamentar
Estreantes como o palhaço Tiririca (PR-SP), o ex-craque Romário (PSB-RJ) e o ex-pugilista Popó (PRB-BA) dividirão o plenário com nomes como o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que se elegeu pela primeira vez aos 22 anos. Ou ainda como os deputados Inocêncio Oliveira (PR-PE) e Miro Teixeira (PDT-RJ), cada um com dez mandatos conquistados ao longo dos anos.

Na véspera de sua 10ª posse, Miro Teixeira disse ao iG que, com os anos, aprendeu que não cabe a ele dar conselho para ninguém. “Só diria para que o deputado que chega agora faça apenas o que deve ser feito como cidadão. Como, por exemplo, não furar a fila e não complicar as coisas.”

Teixeira alerta também os que estão chegando a não subestimarem a capacidade de algum colega durante as discussões. O deputado conta que, logo em seus primeiros anos como parlamentar, entrou numa discussão jurídica com um colega que “achava que tinha conhecimentos mais modestos”. “Eu era um jovem advogado, e banquei o ‘bambambam’”, diz.

Até que um dia, relata, o ex-deputado mineiro José Bonifácio o chamou num cantou e o alertou: disse que a ele que ainda era muito novo e que logo descobriria que, na Câmara, sempre haveria uma discussão que seria dominada pelo colega que havia sido antes subestimado. “Ele me disse: ‘Esse deputado com quem você acabou de debater vai falar sobre a Amazônia um dia, e você vai ver o quanto ele conhece aquela realidade’. Ou seja, haverá sempre uma discussão que alguém poderá trazer elementos de convicção por uma situação por ele vivida.”

Apesar do discurso, Miro admite que, até bem pouco tempo atrás, os novatos recém-chegados ao Congresso enfrentavam uma espécie de trote. Um dos veteranos costumava incentivar os novatos a fazerem apartes em hora “inoportuna” durante o discurso de algum colega. Hoje, explica Miro, a exposição no Congresso, com transmissões ao vivo e canais próprios de comunicação, constrange esse tipo de “pegadinha”. “Era uma espécie de batismo de fogo”, conta.

No fim das contas, Miro diz ter a impressão, a cada nova legislatura, todos estão assumindo o cargo pela primeira vez. “As realidades não se repetem. É um fato novo a cada instante. Muitas vezes a experiência que temos vale para poucas coisas”, diz o deputado.

Exemplo disso, afirma, foi que, na legislatura que começou em 1991, “nenhum dos deputados poderia imaginar que teria de lidar com um impeachment nem com um escândalo como o dos anões do Orçamento”. “Na legislatura seguinte, tivemos a votação para uma reeleição. Ou seja, a dinâmica social nos nivela no desconhecimento.”

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