Despedida de Lula termina em choradeira

Ato que deveria ser o lançamento de projeto cultural, em Recife, se transforma em uma louvação a presidente

Ricardo Galhardo, enviado a Recife |

Agência Estado
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva se emociona durante a sua despedida do cargo no Marco Zero do Recife
“Não quero chorar mais do que já chorei. O povo chora para fora, cafunga, lacrimeja, enquanto político chora para dentro, fica engolindo as lágrimas”, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta terça-feira à noite em seu último ato como chefe de Estado em Pernambuco, seu Estado natal.

O ato, programado para ser uma grande festa de despedida ao som de forró, acabou em uma choradeira generalizada. O próprio Lula chorou pelo menos três vezes e levou às lágrimas o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) e parte das 20 mil pessoas que foram ao Marco Zero para se despedir do presidente.

No camarote VIP, ao lado do escritor Ariano Suassuna, um homem soluçava enquanto Lula rememorava sua trajetória desde a fuga da seca em 1952 passando pelas greves no ABC, as derrotas em 1989, 1994 e 1998, a vitória em 2002 e a reeleição em 2006. “Isso só pode ter o dedo de Deus. Quem não acredita em Deus pode acreditar porque ele existe”, disse Lula.

Oficialmente o ato deveria ser o lançamento do projeto Cais da Cultura – Memorial Luiz Gonzaga, mas se transformou em uma louvação a Lula. O poeta Antonio Marinho foi o primeiro a arrancar lágrimas do presidente ao falar, em ritmo de poesia, de obras como a transposição do rio São Francisco e o Pro-Uni.

Depois foi a vez dos repentistas Valter Teles e João Paraibano fazerem Lula cair na gargalhada com um verso no qual diziam que, se houvesse exportação de presidentes, os estrangeiros já teriam levado Lula embora.

Eduardo Campos foi o segundo a fazer Lula chorar quando agradeceu em nome do povo de Pernambuco pelas obras que o governo fez no estado.

Agraciado com a comenda da Ordem do Mérito dos Guararapes, a mais importante do Estado, Lula foi às lágrimas pela terceira vez ao falar das derrotas eleitorais e cafungou até o final do discurso.

O presidente aproveitou para pedir apoio à presidenta eleita Dilma Rousseff. “Gente, a palavra de ordem é apoiar a Dilma”. E terminou reafirmando que não deixará a política. “Deixo apenas a presidência mas não pensem que vocês vão se livrar de mim. Porque estarei pelas ruas”.

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