Desafetos no PT complicam situação de Palocci

Petistas alegam que ministro ficou isolado e estaria 'pagando pelos pecados que cometeu'

Clarissa Oliveira e Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

Além de se esforçar para desviar dos ataques da oposição, é dentro de seu próprio partido que o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, enfrenta dificuldades na busca por apoio para permanecer no governo. Nas conversas reservadas entre petistas, circula com frequência cada vez maior a avaliação de que o chefe da Casa Civil agora amarga os desafetos que adquiriu ao longo dos últimos anos. “O ministro Palocci está pagando pelos pecados que cometeu”, disse um petista com trânsito no Palácio do Planalto.

Dentro do PT, Palocci pertence à corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), conhecida como o antigo Campo Majoritário da sigla. O grupo deu as cartas no partido até a crise do mensalão e é integrado por nomes como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro José Dirceu.

AE
Expectativa deve aumentar neste início de semana em torno do destino de Palocci
Nos últimos dias, segundo petistas, dirigentes e líderes partidários optaram por se afastar do ministro. Como Palocci sempre teve um perfil reservado, a justificativa de alguns é a de que ele próprio optou por se expor ainda menos diante do agravamento da crise em torno de sua evolução patrimonial. Palocci, entretanto, recebeu alguns afagos de colegas de partido nos últimos dias. Dirceu, por exemplo, telefonou ao ministro da Casa Civil.

Nos grupos mais à esquerda do PT, o apoio é escasso. Alas geralmente descritas como mais “radicais” teciam críticas ao ministro desde os tempos em que ele ainda comandava a pasta da Fazenda, durante o governo Lula. Tradicionalmente, as queixas versavam sobre a política econômica adotada desde o início do governo petista.

Agora, o discurso que prevalece dentro do PT é o de que o partido está pagando o preço por decisões pessoais de Palocci. A situação, dizem dirigentes, é muito diferente da enfrentada por nomes como o ex-tesoureiro Delúbio Soares, que foi recentemente reintegrado à sigla depois de ser expulso na crise do mensalão. Os erros de Delúbio, justificam os colegas de legenda, referiam-se ao gerenciamento de recursos para campanhas e não a negócios privados.

Há insatisfações em alguns grupos do partido também com a distribuição de cargos no governo Dilma. Setores do partido avaliam que o núcleo duro composto pela presidenta para abrir sua gestão no Palácio do Planalto não soube administrar as demandas do partido e cedeu demais às pressões do PMDB.

Apoio

Apesar das críticas, petistas admitem que o chefe da Casa Civil ainda conta nos bastidores com apoio do ex-presidente Lula. O endosso pode pesar neste início de semana, quando crescem as expectativas em torno de qual será a posição de Dilma sobre o destino do auxiliar.

Palocci apostou na entrevista que concedeu na sexta-feira ao Jornal Nacional para tentar esfriar a crise. Após os esclarecimentos, auxiliares diretos do ministro admitiam nos bastidores que só resta aguardar para saber qual será a decisão final da presidenta.

Como o iG revelou, Palocci sinalizou a aliados que não está disposto a tomar a iniciativa de abrir mão do cargo . Assim, caberia a Dilma demitir o auxiliar, se avaliar que sua situação atingiu um ponto insustentável. No governo, já circulam nomes de possíveis substitutos, com base na tese de que a presidenta poderia optar por uma escolha “técnica”. Com isso, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, passou a constar da lista de apostas .

*Colaborou Adriano Ceolin, iG Brasília

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