Deputados estaduais do PMDB rompem com PT em Minas Gerais

Partido diz que está sendo deixado para trás em discussões sobre eleições 2012. PT diz que rompimento é flerte com Aécio para 2014

Denise Motta, iG Minas Gerais |

As permanentes dificuldades de convivência entre os dois partidos da base do governo federal e a dificuldade da bancada do PMDB de convívio com a direção estadual do PT culminaram com a decisão do PMDB em deixar o bloco"

Chegou ao fim nesta quinta-feira (25) o bloco “Minas sem Censura”, de oposição ao governador Antonio Anastasia (PSDB) na Assembleia Legislativa mineira. O bloco era formado por parlamentares do PT, PCdoB e PMDB, mas os deputados peemedebistas formalizaram a saída alegando divergências com os petistas.

Com a revoada de oito peemedebistas, o bloco fica com 13 parlamentares (11 do PT e dois do PCdoB). Segundo seu líder, o deputado Rogério Correia (PT), o bloco continuará funcionando, embora tenha perdido musculatura.

Em comunicado, o líder da minoria, deputado Antônio Júlio (PMDB), que é secretário-geral do partido em Minas, avisou que os deputados de sua legenda deixam o “Minas sem Censura” por dificuldades da bancada em conviver com a direção estadual do PT. “As permanentes dificuldades de convivência entre os dois partidos da base do governo federal e a dificuldade da bancada do PMDB de convívio com a direção estadual do PT culminaram com a decisão do PMDB em deixar o bloco”, diz a nota do peemedebista.

“É a maior mentira do mundo. Eu tenho uma ótima convivência com o PMDB”, rebateu o deputado federal Reginaldo Lopes, presidente do PT mineiro, ao ser questionado sobre o assunto pela reportagem do iG .

Lopes ainda disse que o PMDB quer ficar independente para futuramente escolher entre um projeto presidencial com o PT ou com o PSDB. “Eles (PMDB) querem ficar com um pé no barco do PT e outro na canoa do Aécio (Neves, senador do PSDB-MG). Mais pra frente decidem qual projeto nacional escolhem”, afirmou ele.

Na avaliação do peemedebista Antônio Júlio, a falta de diálogo com o PT, com vistas às eleições municipais do próximo ano, contribuíram para a dissolução do bloco.

Parte do PT sinaliza apoio à reedição da aliança com o atual prefeito Marcio Lacerda (PSB), cujos padrinhos, em 2008, foram Aécio Neves e o ex-prefeito e atual ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve reunido com peemedebistas na semana passada, em um almoço na capital mineira. Muitos parlamentares do PMDB saíram antes mesmo que o evento acabasse, sinalizando um estremecimento da base da presidenta Dilma Rousseff em Minas.

O presidente estadual do PT nega turbulência na base. Ele promete movimentação no sentido de, nas palavras dele, “desmascarar” a gestão tucana em Minas, tendo como alvos o atual governador e o senador Aécio, possível candidato à Presidência da República em 2014. Para isso, ele promete usar os laços do PT com  sindicatos, especialmente o dos professores - em greve há mais de 70 dias na rede pública estadual - para desgastar a gestão Anastasia.

O presidente do PMDB estadual, Antonio Andrade, negou ao iG qualquer desconforto da base aliada da presidenta em Minas, apesar das evidências. “Não sei os motivos que levaram à saída do PMDB do bloco, mas respeitamos. A bancada tem independência”, diz ele, emendando que os peemedebistas continuam a ser oposição ao governo Anastasia. Sobre a sucessão municipal, Andrade diz que entende a relação já construída entre PT e PSB. “Queremos muito e gostaríamos que o PT caminhasse conosco, mas entendemos se não der certo. Teremos candidatura própria e o nome mais forte é o do Leonardo Quintão (deputado federal)”. Quintão disputou o segundo turno com Lacerda em 2008, perdendo de 40,88% contra 59,12%.

Divulgação
Aécio Neves (PSDB-MG) e Leonardo Quintão (PMDB-MG), em imagem de 2008: após serem oponentes naquele ano, eles começam a conversar para 2012
Nos bastidores da assembleia, o comentário sobre a ruptura entre petistas e peemedebistas passa por desconfortos pelo radicalismo de alguns petistas em relação à gestão tucana, pressão do Palácio da Liberdade (sede histórica do governo mineiro), falta de cargos da gestão federal para o PMDB, além da falta de diálogo entre as duas legendas com vistas às eleições municipais. Enquanto PT e PMDB não se entendem, o presidente do PSDB de Belo Horizonte, deputado estadual João Leite, vem mantendo conversas frequentes com o provável candidato a prefeito da capital pelo PMDB, Leonardo Quintão.

O presidente do PSDB mineiro, Marcus Pestana, negou, no último sábado, tal interlocução. O deputado peemedebista, entretanto, disse ao iG apostar na possibilidade de ser apoiado pelos tucanos e diz que nos próximos dias terá uma reunião com Aécio para tratar do assunto. O senador mandou o recado para Quintão por meio de João Leite, contou o deputado do PMDB. Questionado se o PT já o procurou para tratar de eleição, o provável adversário de Lacerda negou. “Parece que o PSDB está tendo um faro de que eu vou ganhar a eleição”, disse, entre risos.

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