Deputados denunciam fraude na TV Assembleia em SP

Parlamentares negam ter encomendado inserções ao custo de R$ 1.939,04 cada

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A Assembleia Legislativa paulista gastou R$ 4,4 milhões por 2.350 inserções audiovisuais na TV Assembleia (TV Alesp) em 2010 - o serviço é terceirizado. O problema é que parte dos deputados que teriam pedido essas inserções, a um custo de R$ 1.939,04 cada, nega ter encomendado os serviços.

ROBSON FERNANDJES/AGÊNCIA ESTADO/AE
O presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Barros Munhoz (PSDB), teve 51 inserções na emissora ao custo de R$ 100 mil
A polêmica estourou nesta semana, quando o deputado Olímpio Gomes (PDT) recebeu uma planilha que tinha requisitado em fevereiro à Fundação Padre Anchieta, discriminando os serviços prestados pela TV Alesp. "É a confissão de uma grande fraude e causou indignação em deputados de todos os partidos."

"Trata-se de um documento fraudulento. De corrupção a céu aberto", esbravejou o deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL), ao checar o documento. Ele aparece como um dos campeões de gravações - 62 no ano, 22 só em setembro, mês em que a lei proíbe aparições na TV fora do horário eleitoral.

Giannazi disse se lembrar de quatro pedidos de cobertura à TV Alesp. "Exijo que a Mesa Diretora investigue o assunto, pois é dinheiro do contribuinte que está financiando isso. É caso para o Conselho de Ética."

O deputado Luis Carlos Gondim (PPS) ficou em primeiro lugar na lista, com 70 inserções em um ano, ao custo de R$ 135 mil. O hoje secretário estadual Davi Zaia (PPS) aparece com 66 inserções e gasto de R$ 127 mil.

O presidente da Casa, Barros Munhoz (PSDB), teve 51 inserções, ao custo de R$ 100 mil. Carlinhos de Almeida (PT), hoje deputado federal, aparece com 59 inserções (R$ 114 mil). Ele relatou ter feito dois eventos no ano. Adriano Diogo (PT) teve 30 inserções a R$ 58 mil. Muitos deputados já pediram esclarecimentos, como Edson Ferrarini (PTB).

Para Olímpio, os deputados foram usados como "laranjas" para elevar o pagamento feito pela Assembleia. Ele quer levar o caso à Procuradoria Geral de Justiça, assim como Giannazi, que também quer acionar o Tribunal de Contas do Estado (TCE). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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