Deputado oculta nomes e ameaça governo de São Paulo

Roque Barbiere diz ter alertado o governo verbal e oficialmente sobre suspeitas de desvios em emendas

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

Em relatório por escrito entregue ao Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo o deputado Roque Barbiere (PTB) se recusou a citar nomes de parlamentares que teriam vendido emendas. No documento de 22 duas páginas redigido a quatro mãos com líder do PTB na Alesp, Campos Machado, Barbiere faz ameaças veladas ao governo do Estado, do qual é aliado.

Barbiere diz ter alertado o governo verbal e oficialmente sobre suspeitas de desvios em emendas liberadas a parlamentares paulistas por meio do ex-secretário da Casa Civil, Luiz Antonio Marrey.

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“O dr. Marrey, então secretário da Casa Civil, disse lembrar-se vagamente do requerimento apresentado e protocolado em 22 de dezembro de 2010 mas não se recordava do assunto. Ele (Marrey) lembrou-se da data mas não do assunto. Estranho, não acham”, diz o documento.

Barbiere disse estar triste com a reação do governo às suas declarações e afirma que “ainda” não acusou o Executivo estadual de irregularidades.

“Estou triste, sim, muito triste com as declarações do governo de que nunca os alertei. Não é verdade! (...) Pode até ser que esqueceram (de responder aos alertas), ou não tiveram tempo. O que não pode é tentar me fazer passar pó mentiroso e dizer que não os alertei. Duvido muito que o secretário Emanuel (Fernandes, de Planejamento) e a delegada Rose (secretária adjunta da Casa Civil), na minha presença, neguem o relato da conversa que tive com eles. Por que será que o Governo se manifesta com tanta veemência se eu não os acusei, ainda, de fazer nada errado?”.

No documento Barbiere nega ter comparado a Alesp a um camelódromo, pede desculpas aos demais deputados e cita os casos do ex-deputado Zé Bruno e do secretário do Meio Ambiente, Bruno Covas, como exemplos de venda de emendas. O deputado reiterou intenção de não divulgar nomes e disse que as denúncias têm como objetivo alertar o poder Judiciário paulista sobre supostas irregularidades.

O texto de Barbiere aumentou a sanha da oposição de criar uma CPI para investigar o caso.

“A manifestação dele é explícita e chama à responsabilidade o governo que tinha conhecimento. O governo tem que dar uma resposta. Este documento oficializa a denúncia contra o governo”, disse o deputado Edinho Silva, presidente do diretório estadual do PT.

O líder do partido na Alesp, Ênio Tatto, disse que alguns deputados da base governista manifestaram o desejo de assinar o pedido de CPI. “Temos 28 assinaturas. Faltam só quatro e vamos tentar convencer mais gente a assinar”, disse ele.

O deputado Cauê Macris (PSDB) rebateu a interpretação de que Barbieri teria alertado o governo. “O documento (ofício protocolado n Casa Civil em 22 de dezembro) de fato não foi um alerta”, disse Macris. “Além disso estamos falando de outro governo e outro momento”, concluiu o deputado, lembrando que o ofício foi protocolado durante a gestão de Alberto Goldman (PSDB), vice de José Serra (PSDB).

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