Deputado estadual paulista gasta o mesmo que senador

Levantamento do iG mostra que deputados usaram R$ 4,2 milhões em verba indenizatória em 74 dias de trabalho legislativo

Nara Alves, iG São Paulo |

Após um mês de recesso, os 94 deputados estaduais paulistas retornam nesta segunda-feira às tarefas legislativas. Até agora, os parlamentares da 17ª legislatura da Assembleia Legislativa de São Paulo, que começou em 15 de março e entrou em recesso em 30 de junho, atuaram oficialmente na Alesp por 74 dias, considerando dias úteis, de segunda-feira a sexta-feira. Nesse período, os deputados gastaram R$ 4,2 milhões com verba indenizatória, de acordo com levantamento realizado pelo iG . Foram R$ 602,64 por parlamentar por dia trabalhado, a mesma quantia que gastou, em média, um senador.

Assembleia Legislativa de SP
Presidente da Alesp, Barros Munhoz (PSDB), observa deputados no dia da posse, em 15/03
O levantamento, feito a partir da prestação de contas divulgada no portal da Assembleia Legislativa de São Paulo, mostra que deputados gastam tanto quanto os senadores da República, embora a área de atuação de um parlamentar paulista se limite às fronteiras do Estado. A reportagem levou em consideração apenas os gastos reembolsados na 17ª legislatura. Por isso, os reeleitos tiveram a despesa de março divida por dois, uma vez que os trabalhos em São Paulo começaram na segunda quinzena do mês. O valor total gasto pelos deputados pode ser ainda maior. Isso porque as prestações de conta de 16 deputados foram parcialmente divulgadas e, portanto, não computadas.

A comparação entre deputados paulistas e senadores pode ser feita com base nos cálculos feitos pelo site Congresso em Foco , que listou os senadores mais caros do País. Os 81 senadores usaram R$ 5 milhões da cota no primeiro semestre do ano, segundo o site. Como o mandato em Brasília começou um mês e meio antes da legislatura em São Paulo, em 1º de fevereiro, os senadores trabalharam 103 dias úteis. Com isso, a média diária fica em R$ 599,30, pouco menos do que a de um deputado estadual em São Paulo.

“As áreas de cobertura de um senador e um deputado estadual são teoricamente idênticas, o Estado. Mas São Paulo tem três senadores e 94 deputados. Fica difícil aceitar que as despesas sejam iguais”, analisa o cientista político Humberto Dantas, conselheiro do Movimento Voto Consciente, organização não-governamental que fiscaliza a atuação dos deputados na Alesp. Dantas ressalta que senadores teoricamente utilizam mais passagens aéreas do que deputados, que contam com carro oficial com motorista para viajar.

Para o especialista, os parlamentares agem no limite do legal e do ético. “Os governantes têm de tornar públicos os seus atos. Mas o que eles fazem é muito mais uma propaganda. O parlamentar muitas vezes age individualmente, individualiza o mandato com dinheiro público”, afirma Dantas.

Discrepância de 678%

O levantamento do iG mostra, ainda, que os 30 deputados que mais gastaram consumiram quase 50% do valor total empenhado em reembolso. Por outro lado, os 30 deputados que menos gastaram consumiram apenas 15% do bolo. Considerando os deputados que prestaram contas de 15 de março a 30 de junho, a discrepância entre o gabinete mais econômico e o mais dispendioso é de 678%, segundo o levantamento.

Gerando gráfico...
Fonte: Assembleia Legislativa de São Paulo

Benefícios

Os 94 deputados têm direito a uma série de benefícios , incluindo a verba indenizatória para cobrir despesas com combustíveis, passagens aéreas, aluguéis, impressões, divulgação, hospedagem, telefonia, entre outras categorias de despesas. No total, estes gastos não podem ultrapassar o teto de R$ 21.812,50 por mês. O gabinete que gastar mais do que isso deve compensar nos meses subsequentes até o fim do ano.

Além da verba indenizatória, os 94 deputados recebem salário mensal de R$ 20.042,34, com 13º salário e bônus anual de 50% do salário proporcional à presença em plenário. Como mostrou reportagem do iG , os parlamentares também recebem auxílio-moradia no valor de R$ 2.250,00 por mês, tenham ou não imóvel próprio na capital paulista .

A Presidência da Alesp foi procurada pela reportagem para comentar o levantamento, mas não retornou a solicitação até o momento.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG