Depois de se aproximar de Alckmin, Dilma afaga Kassab

Durante evento em São Paulo, presidenta chamou governador de "excepcional parceiro" e prefeito de "grande parceiro"

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

Em mais um capítulo da novela da aproximação entre o governador tucano de São Paulo, Geraldo Alckmin , e a presidenta Dilma Rousseff , a petista introduziu um novo personagem no enredo, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, criador do PSD, partido que deve ter a terceira maior bancada na Câmara e pode integrar a base do governo federal.

Embora tenha interesses políticos na aproximação tanto com Alckmin quanto com Kassab, Dilma ressaltou o caráter republicano do novo padrão de relacionamento.

“Não é possível que tenhamos em divergências pessoais e políticas obstáculo para realização de investimentos imprescindíveis”, disse ela, lembrando que o respeito aos adversários é um “legado do governo Lula ”.

Sentado na primeira fila entre a primeira-dama do Estado, Lu Alckmin, e a deputada Elaine Abssamra (PSB-SP), o ex-governador José Serra (PSDB), que em quatro anos de mandato se recusou a receber os programas sociais do governo federal, assistia à cerimônia.

Roberto Stuckert Filho/PR
Em Araçatuba (SP), Dilma lança pedra fundamental do Estaleiro Rio Tietê ao lado de Alckmin

Adversários políticos, Alckmin e Kassab foram igualmente afagados pela presidenta na cerimônia de assinatura do termo aditivo para construção do trecho norte do Rodoanel, no Palácio dos Bandeirantes, na tarde desta terça-feira, em São Paulo. E retribuíram os afagos.

Em um ato falho, Dilma chegou a chamar Kassab de “governador”. Depois de chamar Alckmin de “excepcional parceiro” nestes oito meses de governo, a presidenta disse que o prefeito “também é um grande parceiro”.

Ela ofereceu ajuda federal para construção e manutenção de creches. Zerar o déficit nas creches paulistanas é uma das promessas de campanha que o prefeito tem dificuldade para cumprir. Ao falar do impacto que o Rodoanel terá sob o trânsito da capital, Dilma disse que “tirar o transporte de cargas do centro de São Paulo é uma obrigação econômica e uma obrigação política”.

Pouco antes, Kassab havia elogiado o esforço de Dilma para integrar esforços com as outras esferas de governo.

A presidenta também não economizou nos elogios a Alckmin. Além de chamar o governador de parceiro excepcional, Dilma elencou as iniciativas conjuntas com o governador. Entre elas o Brasil Sem Miséria, Minha Casa Minha Vida 2, modernização do porto de Santos e dos aeroportos de Guarulhos e Viracopos.
Dilma anunciou também apoio irrestrito à construção do ferroanel, pleito antigo do governo paulista.

“O Ministério dos Transportes está à disposição para conversar sobre o projeto. Não mediremos esforços para completar essa parceria”, prometeu, se dirigindo ao governador.

Alckmin, que esteve com Dilma desde cedo, em Araçatuba e São Paulo, foi generoso nos elogios.
“Presidenta Dilma, sinta-se em casa. Estamos muito honrados e felizes com sua presença”, disse o governador. “Hoje começamos o dia cedinho em Araçatuba”, completou, demonstrando intimidade.

Alckmin encerrou seu discurso citando o ex-governador Mário Covas, morto em 2001. A citação foi interpretada por muitos políticos presentes, inclusive tucanos, como um recado a Serra.

“Quando falo em seriedade não falo em honestidade. Vou mais longe do que isso, falo em integridade. Falo na capacidade que cada um tem de se conduzir de forma adequada em cada circunstância, em cada momento, fazendo com que a política seja colocada em um plano superior a cada um dos políticos. Ao fazermos isso nós certamente estamos contribuindo para a ética na política”.

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