Ideia é dissociar futuros ministros de escândalos. Reunião em que petebista apresentaria indicação a Palocci é cancelada

Alvo de denúncia sobre apresentação de emendas do Orçamento a entidades fantasmas, o senador Gim Argello (PTB-DF) perdeu espaço junto à equipe de transição da presidenta eleita Dilma Rousseff (PT) para a indicação de nomes para o ministério do Turismo.

Relator do Orçamento de 2011, o senador apresentaria, em reunião esta terça-feira, três nomes ao deputado e futuro chefe da Casa Civil, Antonio Palocci (PT-SP): o deputado Armando Monteiro (PE), o senador João Vicente Claudino (PI) e o deputado Nelson Marquezelli (SP). Mas a reunião foi cancelada.

Segundo o iG apurou, as acusações de bancar institutos fantasmas enfraqueceram a posição de Argello. A pasta do Turismo – que ganhou visibilidade após a confirmação de eventos como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 - também é negociada com PSB e, principalmente nos últimos dias, com o PMDB.

A ideia é dissociar quaisquer novos ministros de denúncias de irregularidades. O PTB apoiou a candidatura de José Serra (PSDB), mas Argello esteve o tempo todo ao lado de Dilma. As indicações petebistas seriam uma retribuição a esse apoio.

A apresentação dos nomes estava programada para acontecer um dia antes de outra reunião entre Argello e Palocci, que incluiria o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, na qual o senador receberia as primeiras demandas da equipe de transição para a elaboração do Orçamento do ano que vem.

“Todos têm que ser investigados”, diz Argello

Ao iG , Argello também se defendeu da denúncia no repasses de emendas, publicadas este domingo pelo jornal O Estado de S. Paulo . “Compete ao executor, no caso os ministérios, qualificar e aprovar a execução (das emendas parlamentares), bem como fiscalizar e acompanhar o cumprimento dos contratos. E compete ao Tribunal de Contas da União, verificar a probidade dos feitos dos executores”.

Questionado sobre o que achava de as denúncias terem se concentrado contra ele, uma vez que foram identificadas irregularidades em emendas de outros parlamentares, Argello rebateu: “Talvez porque sou o relator (do Orçamento) desse ano”, afirmou. “Todos tem que ser investigados”.

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