Denúncia contra ex-assessor é “extremamente grave”, diz ministro

Reportagem da revista Veja revela que ex-assessor de Alexandre Padilha teria recebido R$ 200 mil de empresários

Wilson Lima, iG Brasília |

Um ex-assessor do ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), teria recebido R$ 200 mil para manter um suposto esquema de corrupção dentro do Ministério da Saúde envolvendo os seis hospitais federais do Rio de Janeiro. As revelações são da revista "Veja" desta semana. Em entrevista coletiva na manhã deste sábado, o ministro classificou o episódio como “extremamente grave” e revelou que o ex-assessor já é alvo de procedimentos investigatórios da Controladoria Geral da União (CGU) e da Polícia Federal (PF). “Eu estou indignado”, afirmou Padilha.

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Agência Estado
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha
De acordo com a reportagem, em junho de 2011, Edson Pereira de Oliveira recebeu quatro depósitos que totalizaram R$ 200 mil de empresários suspeitos de integrarem um esquema milionário de desvio de recursos no Rio. Uma das empresas depositárias teve contratos da ordem de R$ 3,8 milhões para uma empresa farmacêutica graças a contratos com um hospital universitário carioca. O assessor trabalhava junto ao Ministério desde janeiro de 2011.

Segundo a publicação, esse dinheiro seria para cobrir dívidas de campanha que o ex-assessor contraiu durante a campanha municipal de 2008, quando ele disputou a prefeitura de Ibititá (BA). Edson Oliveira também trabalhou com Padilha na Secretaria de Assuntos Federativos em 2005. O ministro conhecia Oliveira há aproximadamente 20 anos, mas negou qualquer relação pessoal com ele.

“Não tenho motivo para ter encontro pessoal com ele”. Pela reportagem da revista, Oliveira deixou o ministério no final do ano passado. O ministro afirmou que ele foi exonerado após se afastar das funções por um “longo período”.

Auditoria da Controladoria Geral da União (CGU) revelou que no período houve indícios de desvio de recursos da ordem de R$ 124 milhões, de R$ 887 milhões contratados pelo Ministério da Saúde. “São novos fatos extremamente graves e se associam a outros fatos graves que estamos detectando”, afirmou Padilha em coletiva neste sábado..

O ministro Alexandre Padilha informou que pediu uma investigação contra o assessor junto à Polícia Federal e também à Controladoria Geral da União (CGU) após ter conhecimento das denúncias da Veja. O novo procedimento administrativo contra Oliveira, conforme Padilha, faz parte de uma ação de reestruturação administrativa iniciada no primeiro trimestre do ano passado. Uma reestruturação que já detectou ações como formação de cartel ou indícios de direcionamento de procedimentos licitatórios.

Padilha informou que essa reestruturação já resultou em uma economia de R$ 50 milhões nos seis hospitais federais do Rio de Janeiro e em substituições de contratos que resultaram em uma redução de 43% em locações de equipamentos e de 49% em contratos com empresas terceirizadas. Um total 37 contratos já foram suspensos por indícios de irregularidades.

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